Anistia Internacional (AI) denunciou nesta quarta-feira por ocasião do 10º aniversário dos atentados de 11 de setembro de 2001 a suposta "cumplicidade" da União Europeia nos "abusos" que, segundo a organização, cometeram os Estados Unidos com seus programas de detenção e transferência ilegal de terroristas.
Para a ONG, a maior parte dos Governos se mostra "evasiva" na hora de investigar as transferências e prisões secretas na União Europeia de terroristas. "As investigações feitas nos países foram decepcionantes e prevalece a impunidade. Uma década depois, a UE continua calada", declarou o diretor do escritório da AI europeu, Nicolas Beger.
Para a organização, só a Polônia fez uma investigação criminal sobre a suposta existência de uma prisão secreta da CIA (agência de inteligência americana), o que concluiu com o reconhecimento de duas vítimas. Em dezembro, o Governo espanhol negou que negou "qualquer tipo de conivência" com os Estados Unidos com relação aos voos da CIA, como revelou o WikiLeaks.
Segundo denúncia Beger, "a UE se mostra orgulhosa de não ter-se unido à guerra do terror americana em resposta aos atentados de 11-9, lutando contra o terrorismo a partir do respeito aos direitos humanos, mas, no entanto, os países da UE atuaram de forma cúmplice em programas de torturas e detenções ilegais de americanos".
Anistia pede que a Presidência polonesa tome a iniciativa comunitária na hora de perseguir os abusos que alguns Governos europeus teriam sido cúmplices. Da mesma foram reivindica a comissão de Liberdades Civis, Justiça e Interior do Parlamento Europeu que cumpra sua promessa de continuar investigando os programas de detenção ilegais dos EUA após o 11 de setembro de 2001.