A deputada estadual Luiza Maia (PT/BA) autora do projeto de lei 19.237/2011 que visa proibir o financiamento público de músicas e coreografias, que destratem as mulheres estará amanhã às 9 horas na Assembleia Legislativa de Alagoas com o intuito de falar sobre seu polêmico Projeto de Lei.

O projeto virou discussão na Bahia, Estado conhecido por se destacar em gêneros musicais como o axé e a swingueira. Letras como: “ela sai de saia e bicicletinha uma mão tá no guidon e a outra tapa na calcinha” ou letra como: “só as cachorras!”, que já fazem parte da cultura nacional e são cantadas naturalmente pela população. Mas a parlamentar afirma que não tem nada contra nenhum gênero musical e diz que é contra músicas de duplo sentido e que inferiorize a classe feminina.

“A primeira forma de barrar esse tipo de cultura é não gastar dinheiro público com isso, não tenho problema com gênero, mas sim com conteúdo e parte da mídia não quer ajudar nessa solução, essas músicas banalizam a mulher e incentivam a violência. Claro que as pessoas vão para eventos como estes, vão porque é gratuito, se os poderes públicos incentivassem outra forma de cultura, as pessoas iriam querer se divertir da mesma forma, não dá para tratar a mulher como um animal ou objeto sexual com músicas que dizem ‘dá a patinha’”, conclui a deputada.

O projeto de lei conseguiu maioria dentro da casa, mas ainda existem três comissões para avaliá-lo.

“Alguns deputados estão alegando que o projeto é inconstitucional, mas a OAB do estado da Bahia afirma a constitucionalidade do projeto e uma grande parcela da população me apóia outra parte diz que eu quero acabar com o pagode, essa não é minha intenção”, esclarece a deputada.

A estudante Flaviana Azevedo achou o projeto radical. “Na verdade eu sou contra o radicalismo, acho que ideia principal é até interessante, mas também acredito que boicotar dessa forma seja um tanto agressivo e egoísta. Os políticos deveriam incentivar a cultura. Proibir é imbecilidade porque não funciona. A população curte essas coisas, pois o único incentivo que tem é esse”.

Para a estudante esse tipo de música com duplo sentido acabaria, mas já que não acaba ela disse que seria importante que não fosse incentivado.

Bárbara Oliveira atuante do Coletivo Mulheres Resistem disse ser a favor do projeto,

“nós vivemos numa situação em que a música não é acessível apenas aos adultos existem crianças que escutam, dançam e não entendem do que se trata. Há um senso comum de que a mulher seja dominada, isso é uma coisa que já se naturalizou. Acho muito feliz a proposta. É preciso que as pessoas considerem letra e música, nosso cotidiano está cheio de situações como estas e essas ações têm que ser combatidas com ações políticas”, frisou Bárbara.

O Antropólogo Cristiano Barros, afirma que algo precisa ser feito, “isso é importante, já deveriam ter tomado uma medida em relação a isso. Essas músicas já viraram cultura e atinge não só a Bahia como o Brasil inteiro, é um fenômeno nacional, mas não sei se tem que fazer algo em forma de lei, a população precisa ser preparada, existe um investimento maciço da classe dominante em relação a esse tipo de cultura, a ideia é fazer com que o povo tenha uma reflexão limitada, mas é bastante complexo. A mentalidade do povo precisa ser trabalhada”, explica o antropólogo.