O líder líbio Muammar Kadafi conclamou os seus seguidores nesta quinta-feira a marchar em direção a Trípoli e "purificar" a capital ocupada por rebeldes, que ele classificou como "ratos, cruzados e infiéis".
Em um breve discurso em áudio transmitido por canais leais a ele, Kadafi convocou todas as tribos da Líbia a se juntar e expulsar do país o que chamou de agentes estrangeiros.
"A Líbia é para o povo líbio e não para os agentes, não para o imperialismo, não para a França, não para o Sarkozy, não para a Itália", afirmou. "Trípoli é para vocês, não para aqueles que confiam na Otan."
Kadafi ainda convocou as "mulheres a purificar Trípoli".
Líbia: da guerra entre Kadafi e rebeldes à batalha por Trípoli
Motivados pelos protestos que derrubaram os longevos presidentes da Tunísia e do Egito, os líbios começaram a sair às ruas das principais cidades do país em fevereiro para contestar o coronel Muammar Kadafi, no comando desde a revolução de 1969. Rapidamente, no entanto, os protestos evoluíram para uma guerra civil que cindiu a Líbia em batalhas pelo controle de cidades estratégicas de leste a oeste.
A violência dos confrontos gerou reação do Conselho de Segurança da ONU, que, após uma série de medidas simbólicas, aprovou uma polêmica intervenção internacional, atualmente liderada pela Otan, em nome da proteção dos civis. No dia 20 de julho, após quase sete meses de combates, bombardeios, avanços e recuos, os rebeldes iniciaram a tomada de Trípoli, colocando Kadafi, seu governo e sua era em xeque.