A agência da ONU de energia atômica quer fazer pelo menos uma verificação de segurança em cada potência nuclear do mundo nos próximos três anos, a fim de evitar uma repetição da crise nuclear do Japão.
O esboço do documento da Agência Internacional de Energia Atômica, uma versão revisada de um plano apresentado aos estados-membros este mês, traça uma série de medidas para ajudar a incentivar a segurança nuclear depois do acidente de Fukushima em março.
"A implementação robusta deste plano de ação com total transparência será da maior importância e representará um passo significativo em direção a reforçar a segurança nuclear", diz o documento obtido pela Reuters nesta terça-feira.
As medidas planejadas, que visam garantir que as usinas nucleares consigam suportar eventos extremos como o terremoto e o tsunami que devastaram Fukushima, podem ser uma questão delicada para países que querem manter a segurança como um assunto estritamente das autoridades nacionais.
Mas podem desapontar os que têm defendido regras internacionais mais duras. A Rússia, por exemplo, propôs restrições à construção de reatores em áreas sujeitas a terremotos.
"Esse é o meio termo", disse um diplomata europeu sobre o documento. "Ainda não é o mais ambicioso dos documentos."
Após o feedback de diplomatas de países-membros na semana passada, o texto foi modificado na questão principal das inspeções internacionais, para estabelecer que todos os estados-membros da AIEA com programas de energia nuclear iriam receber essas missões de especialistas.
Hoje, 29 países têm energia nuclear e a maior parte dos reatores está nos Estados Unidos, França, Japão e Rússia. Há cerca de 440 reatores nucleares operando no mundo.
O Irã, que nega as acusações do Ocidente de que busca desenvolver capacidade de produzir armas nucleares, diz que em breve vai começar a operar sua primeira usina de energia nuclear em Bushehr, na costa do Golfo.
O novo projeto da AIEA diz que cada estado-membro com usinas de energia nuclear "sediaria pelo menos uma Equipe de Avaliação de Segurança Operacional (OSART) durante os próximos três anos, com foco inicial em usinas de energia nuclear mais antigas".
A versão anterior dizia que o órgão da ONU iria organizar revisões de segurança de uma unidade de energia em cada dez nos próximos três anos, sem especificar que todos os estados-membros estariam incluídos.