O vice-governador e secretário de Estado de Obras, Luiz Fernando Pezão, disse, em depoimento à CPI da Serra, realizada nessa sexta-feira (19) na Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) que a região serrana pode viver uma nova tragédia, dada as condições em que a área se encontra.
Pezão disse ainda que esteve com a presidente Dilma Rousseff na última quinta-feira (18) e pediu a ela mais recursos para continuar a reconstrução da região. Segundo ele, serão necessários cerca de R$ 300 milhões para as obras de dragagem, as mais urgentes para evitar um novo incidente de grandes proporções.
Para justificar o dinheiro, Pezão afirmou para Dilma, ele solicitou recursos para obras emergenciais na região atingida pelas chuvas de janeiro, e ressaltou que as localidades ainda correm riscos.
- Estive por mais de duas horas com a presidente, que ficou de analisar nossos pedidos. O momento é difícil por causa da situação econômica no mundo. Pedimos que ela amplie o ajuste fiscal para que possamos investir mais na região. Se essas obras não forem feitas, vamos continuar a contabilizar mortos.
Pezão revelou ainda que a recuperação da área ainda vai demandar tempo, e ressaltou que o perigo de novas tragédias não está afastado.
Ele disse que R$ 147 milhões, destinados à recuperação das encostas, não estão sendo suficientes, assim como os R$ 80 milhões para a reconstrução das pontes.
O Vice-governador contou ainda que há necessidade de se fazer um trabalho mais meticuloso, já que a tragédia alterou os cursos e as profundidades dos rios.
Além do vice-governador, esteve presente à reunião também o presidente da Emop (Empresa de Obras Públicas do Rio), Ícaro Moreno.
Tragédia anunciada
O relatório preliminar do Crea-RJ (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Rio de Janeiro) sobre a inspeção das áreas atingidas na tragédia das chuvas de janeiro nas cidades de Teresópolis e Nova Friburgo, na região serrana do Estado do Rio de Janeiro, revela que nenhuma grande providência foi tomada para evitar que novos deslizamentos em áreas de risco ocorram se houver chuvas intensas, que devem ocorrer já a partir de outubro de 2011.
Pior, o documento indica ainda que novas tragédias como a ocorrida é apenas uma questão de outro temporal, já que todos os outros elementos que contribuíram para o evento ainda estão presentes, devido ao descaso do poder público.
Uma equipe do Conselho Regional esteve na região onde morreram 900 pessoas e constatou que várias construções destruídas pelas enchentes estavam localizadas dentro do leito maior dos rios, ou seja, estavam em áreas em que naturalmente ocorrem transbordamentos por conta da vazão da água nos períodos mais chuvosos.