Vereadores de Foz do Jordão (350 km de Curitiba) criaram uma CPI para investigar o vazamento de documentos supostamente sigilosos de outra CPI em andamento no Legislativo. Na prática, será uma comissão para investigar outra.
Em maio, após o prefeito Anildo Alves da Silva (PMDB) se recusar a enviar documentos à Câmara Municipal sobre portarias oficiais sem publicação legal, os vereadores criaram a CPI dos Atos Secretos, que já apontou mais de 300 documentos irregulares.
Na última quarta-feira (17), o vereador Derli Rodrigues Costa (PP) apresentou o requerimento da nova CPI, com assinaturas de outros cinco vereadores. Ele justificou que um documento vazou da CPI dos Atos Secretos e foi publicado em uma página de notícias na internet.
O documento em questão é o decreto de nomeação do chefe do Setor de Transporte de Emergência, Rudinei Machado, que há dois meses atropelou uma menina de oito anos quando dirigia um micro-ônibus da prefeitura, usado para o transporte escolar. O site se baseou no documento para afirmar que Machado estava em desvio de função quando ocorreu o acidente.
O vereador Juliano Zwaricz (PRP), presidente da primeira CPI, teria repassado o documento ao site de notícias. Ele nega a acusação e classificou de "hilária" a nova comissão, já que o decreto é público. Para ele, os vereadores da base de apoio do prefeito criaram a nova CPI com o objetivo de desviar o foco das investigações em andamento. "O Executivo pressionou e eles criaram [a nova comissão]", argumenta.
Emerson Luis Quadros, chefe de Gabinete do prefeito, afirmou que a prefeitura não instigou a criação da "CPI da CPI". "Em momento algum houve participação do prefeito, até porque ele ficou praticamente a semana toda em Brasília", enfatizou.
Os integrantes da comissão que pretende investigar a CPI dos Atos Secretos já foram nomeados. O vereador que apresentou o requerimento será o relator do processo. Ele já responde pela relatoria da CPI instalada em maio.