Para o deputado federal Rui Palmeira (PSDB), o depoimento do ministro do Turismo Pedro Novais realizado na Câmara dos deputados foi “pouco esclarecedor diante as graves denúncias apuradas pela Polícia Federal. Foi um depoimento precário e insuficente, incapaz de nos fazer acreditar que se desconhecia a corrupção no ministério”.
Vice-líder da oposição nacional na Câmara dos Deputados, Rui Palmeira foi um dos parlamentares que assinou o requerimento de convocação do ministro, que compareceu à Câmara para prestar esclarecimentos sobre a Operação da Polícia Federal que desbaratou uma organização criminosa especializada em desvio de recursos federais do ministério.
Para o parlamentar alagoano, o depoimento de Pedro Novais “infelizmente não esclareceu muita coisa, foi pouco direto e não respondeu às perguntas dos parlamentares”. O deputado também cobrou mais investimentos no turismo de Alagoas, uma das vítimas indiretas das fraudes reveladas pela Polícia Federal.
“Devemos cobrar mais seriedade do governo federal na aplicação dos recursos, sobretudo nas questões do turismo. Alagoas muito depende do turismo e nós precisamos destes investimentos em áreas como saneamento básico, estradas e capacitação de mão de obra, por exemplo. Saber que estes recursos são desviados prejudicando nossa atividade turística é inaceitável” disse o deputado.
Na Câmara dos Deputados, em depoimento realizado nesta quarta-feira (16), o ministro Pedro Novais admitiu que pode ter havido irregularidades no repasse de verbas de sua pasta a entidades sem fins lucrativos.
No último dia 9 de agosto, a Polícia Federal prendeu 36 acusados de participar do esquema. Os mandados de prisão foram expedidos em Brasília, São Paulo, Macapá e Curitiba. Todos eles já foram libertados. O secretário-executivo do órgão, Frederico da Silva Costa, estava no grupo que foi enviado à prisão. O ministro assumiu a responsabilidade pela nomeação de Frederico Costa Neto, e afirmou no depoimento da Câmara que Frederico – ou Fred, como é chamado – é um funcionário “conceituado”.
Segundo a PF, as investigações começaram em abril, a partir de levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU), que identificou irregularidades no convênio, que previa a qualificação de 1,9 mil profissionais de turismo no Amapá. As investigações constataram que não houve a qualificação de profissionais e que os recursos foram pagos a empresas que só existem no papel.
“Se houve deslizes ou irregularidades, eu não sei, mas admito que algo pode ter havido. De qualquer maneira, isso está sendo corrigido e será eliminado”, afirmou o ministro, em audiência realizada conjuntamente pelas comissões de Defesa do Consumidor; de Fiscalização Financeira e Controle; e de Turismo e Desporto.
