Após a crise que assolou o Ministério dos Transportes e culminou com o afastamento de mais de 20 funcionários ligados ao setor, o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, prometeu nesta quarta-feira, em audiência pública na Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados, uma "diretoria profissional" em autarquias vinculadas à pasta, como o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e a Valec, a estatal que cuida de ferrovias.
Aos parlamentares, o ministro defendeu controles interno e externo em obras públicas e disse estar "convicto" de que, após as denúncias de irregularidades, como o suposto superfaturamento de obras e o recebimento de propina por parte de empreiteiras, é preciso que o governo conduza uma "reengenharia de gestão no setor de transportes".
"Temos um grande desafio que passa por um conjunto de medidas, atitudes e passos, e eu, à frente do Ministério dos Transportes, estou convicto de que teremos de fazer. Primeiro um ajustamento da máquina administrativa do ministério a partir dos nomes que foram propostos para compor a diretoria colegiada do Dnit, composta por profissionais qualificados, a maior parte de carreira e que terão condições de tocar aquela autarquia. O segundo diz respeito à Valec. Vamos caminhar na Valec na mesma direção. Vamos constituir lá uma diretoria profissional para trabalhar e levar adiante grandes projetos que estão naquela autarquia", explicou aos deputados durante a audiência pública.
Assim como fez em depoimento no Senado Federal, Passos disse que o indicativo de irregularidade em uma obra não significa que o empreendimento esteja completamente condenado e tenha de necessariamente ser paralisado.
"O controle interno e externo é cabível, necessário e importante e, mesmo quando a obra é enquadrada, isso não significa uma sentença contra a obra", disse ele, defendendo que as futuras licitações sejam feitas "preferencialmente com projetos executivos, o que significa apertar no rigor". Atualmente, apenas com projetos básicos é possível que os processos licitatórios sejam feitos, o que acarreta na necessidade de aditivos e revisão nos valores das obras.