O governo anunciou nesta terça-feira (16) a criação de uma comissão que vai estabelecer metas para os principais aeroportos brasileiros. Nos últimos 12 meses, a Justiça recebeu uma média de 50 reclamações por dia de passageiros de avião.

O empresário Luís Innella queria causar boa impressão para o primo italiano que veio em lua de mel conhecer o Brasil. A decepção veio depois que dois voos atrasaram mais de quatro horas. “Atraso de voos, falta de informações, a companhia não dá suporte necessário para a gente”, reclama Luís.

As dificuldades de quem viaja de avião no Brasil viraram queixas nos juizado especiais instalados em aeroportos de São Paulo, Rio, Brasília e Mato Grosso. Em apenas um ano, foram 18,5 mil reclamações que dão a dimensão do problema e mostram quais são os desafios para que os passageiros tenham um serviço melhor.

Atrasos e cancelamentos de voos, falta de informações, além de extravios e até mesmo furto de bagagens foram as principais queixas.

“Moro na Suíça e sempre que venho ao Brasil tenho bagagem rasgada. Tenho que comprar uma nova ou fazer uma reclamação”, conta uma mulher.

Com a promessa de melhorar o que não anda bem, o governo anunciou mudanças. Criou a Comissão Nacional de Autoridades Aeroportuárias (Conaero), formada por representantes de vários ministérios, e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que regula o setor.

A comissão vai estabelecer metas para seis aeroportos: em Brasília, em Belo Horizonte, no Rio e em São Paulo. Entre as metas: acelerar o check-in, a retirada das bagagens e a passagem pela alfândega. Todas devem passar a valer até o fim do ano. A fiscalização será das autoridades aeroportuárias. Cada aeroporto terá uma, sempre coordenada pela Infraero.

“O aeroporto é uma entidade que podemos comparar a uma grande empresa, com áreas e departamentos. Para funcionar, tem que haver trabalhos alinhados entre essas unidades, e com responsabilidades”, comentou o ministro-chefe da Secretaria de Aviação Civil, Wagner Bittencourt.

As punições para quem não cumprir os objetivos ainda não foram estabelecidas. Para os passageiros com problemas, a recomendação é a mesma: procurar os juizados especiais ou a Infraero.