A Divisão de Homicídios vai analisar imagens do circuito de câmeras do fórum de São Gonçalo (região metropolitana do Rio), onde a juíza Patrícia Acioli era titular antes de ser assassinada na madrugada da última sexta-feira (12). A intenção dos investigadores é avaliar se foi observada alguma movimentação suspeita no fórum nos dias que antecederam a morte da magistrada.

Até o início da tarde desta segunda-feira (15), a polícia havia ouvido 20 pessoas ligadas à Patrícia. Entre elas, o ex-marido Marcelo Poubel, que é policial militar, e um agente penitenciário com quem a juíza havia tido relacionamento. Vizinhos e parentes também prestaram depoimento.

De acordo com a Divisão de Homicídios, 20 agentes foram deslocados para cuidar do caso.

Nesta segunda-feira, três juízes criminais assumiram o comando da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo. O objetivo da força-tarefa é fazer uma varredura em todos os casos que estavam sob a responsabilidade da juíza para tentar apurar a possibilidade de alguma ligação entre os réus dos processos com o assassinato de Patrícia.

Policiais da DH (Delegacia de Homicídios), que investigam a morte da magistrada, fazem diligências nesta segunda e também irão ao Fórum de São Gonçalo. Os endereços visitados por eles não foram divulgados.

Por ordem da chefe de Polícia Civil, delegada Martha Rocha, a investigação está sendo tratada com muito sigilo. O agente penitenciário, com quem Patrícia teve um relacionamento amoroso, deve prestar depoimento nesta segunda na DH.

Conhecida como linha-dura, a magistrada combatia milicianos, máfia de vans e grupos de extermínio que atuavam na região. Na agenda da juíza, estava marcado para esta terça-feira (16) o julgamento de quatro PMs acusados de participarem de um grupo de extermínio que teria assassinado o barbeiro Douglas Cabral Fidélis, 21 anos.

Nos últimos dez anos, a juíza determinou a prisão de 60 PMs, segundo o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Manoel Alberto Rebêlo dos Santos.

A magistrada havia recebido pelo menos quatro ameaças graves nos últimos cinco anos. Quando era defensora pública na Baixada Fluminense, chegou a sofrer um atentado. Seu nome também fazia parte de uma lista de 12 pessoas supostamente marcadas para morrer. O documento foi apreendido com um integrante de um grupo de extermínio que atua em São Gonçalo.

Patrícia dispensou escolta em 2007, após iniciar namoro com Marcelo Poubel. Em 2009, a Polícia Federal informou à juíza que integrantes da máfia das vans de São Gonçalo estariam tramando sua morte e a de seus familiares.

Crime em São Gonçalo pode ter relação com morte da juíza

Policiais da DH investigam se o assassinato de Anderson Marinho de Oliveira, conhecido como Portuguesinho, de 36 anos, na última sexta-feira, à noite, em São Gonçalo, um dia depois de Patrícia ser morta, tem relação com o assassinato da magistrada. Ele era acusado de pelo menos três homicídios e suspeito de integrar um grupo de extermínio que atua nos bairros Venda da Cruz e Tenente Jardim.

Oliveira possuía uma extensa ficha criminal e foi preso mais de dez vezes. A última foi em maio, quando foi reconhecido como um foragido da Justiça pelo promotor Paulo Roberto Mello Cunha, da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, em uma blitz policial.