Alcir Pereira, 56 anos, que foi baleado no pescoço durante o sequestro a um ônibus na avenida Presidente Vargas, no centro do Rio de Janeiro, na última terça-feira, recebeu alta do Hospital Municipal Souza Aguiar na quinta. Na ocasião, cinco pessoas ficaram feridas. Três continuam internadas.
Fabiana Gomes da Silva, 30 anos, que levou um tiro na região dos glúteos, passa bem e foi transferida para o Hospital de Clínicas da Penha. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, o estado de saúde de Liza Monica Pereira, 46 anos, ainda é delicado, porém estável. A vítima permanece no Centro de Terapia Intensiva do Souza Aguiar. Ela foi baleada no tórax e está com fraturas na costela e na clavícula, além de uma contusão no pulmão. Ainda não há previsão de alta.
O policial Marco Antônio Blanco também ficou ferido. Atingido na perna, ele segue internado no Hospital Central da Polícia Militar. A quinta vítima, Josuel dos Santos Messias, 46 anos, levou um tiro de raspão na perna e já foi liberado.
O sequestro
O ônibus, que seguia da Praça XV para Duque de Caxias, foi cercado pela polícia na avenida Presidente Vargas, pista sentido Praça da Bandeira, na noite do dia 9 de agosto. Quando o coletivo parou em um ponto, os criminosos entraram, pagaram a passagem e nem esperaram o troco. O motorista desconfiou, fez sinal para dois policiais e aproveitou para fugir.
Cerca de 50 agentes da PM, do Batalhão de Policiamento de Choque e do Bope foram acionados para o local. Após duas tentativas de fuga, os pneus do coletivo foram furados. Com o ônibus parado, policiais armados de fuzis e pistolas se posicionaram do outro lado da pista. Houve um intenso tiroteio. Peritos dizem que foram mais de 10 perfurações no veículo.
Após 35 minutos de negociação, dois criminosos foram capturados e identificados como Renato da Costa Júnior, 21 anos, e Bruno Silva Lima, 19 anos. O terceiro preso, foi identificado como Jean Júnior da Costa Oliveira.Apontado como sobrinho do traficante Fernandinho Beira-Mar, Jean foi capturado quando deu entrada em um hospital particular. Um quarto bandido foi identificado por fotos do banco de dados da Polícia Civil como e tem um mandado de prisão preventiva expedido contra ele. Este último sequestrou um casal antes de conseguir fugir.
O secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, assumiu que houve erro de abordagem dos policiais no caso, mas destacou a negociação que aconteceu em seguida como bem sucedida. Para o comandante da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio Duarte, os policiais militares quebraram o protocolo ao atirar contra o veículo com reféns, apesar do fato ter permitido que o ônibus fosse interceptado pela polícia.
Os dois policiais que confessaram ter atirado contra o ônibus foram indiciados por lesão corporal, informou a delegada-adjunta da 6ª DP (Cidade Nova), Sânia Cardoso. Ainda segundo a delegada, caso alguma das pessoas atingidas morra, ambos podem ser indiciados de homicídio culposo. Os nomes dos agentes não foram divulgados.