O Senador alagoano e líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros, afirmou, em entrevista à imprensa, que a operação da Polícia Federal (PF) que resultou na prisão de 38 pessoas, ligado ao Ministério do Turismo, foi realizada de forma exagerada, mas que aconteceu de maneira legal e legítima.

"O PMDB colocou que considerou exagerado uma operação com 38 prisões relativas a um convênio de 2009, mas entendemos a legitimidade da operação", disse o senador.

O discurso do PMDB sustenta que as denúncias não atingem o atual ministro Turismo, Pedro Novais, indicado pelo partido.

"O ministro não está sendo investigado", disse o líder do governo no Senado, Romero Jucá (RR). "O ministro não é sequer suspeito", reiterou Calheiros.

O líder peemedebista afirmou ainda que não se pode "partidarizar" a operação e lembrou que pessoas ligadas ao PT também estão entre os presos.

"Não é correto partidarizar. Eu não conheço os fatos, mas nem o PMDB nem o PT estão imunes à investigação", afirmou.

De acordo com o diretor-executivo da Polícia Federal, Paulo de Tarso Teixeira, as investigações indicam que foram desviados do Ministério do Turismo dois terços do valor do contrato entre a pasta e o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável (Ibrasi). Isso equivale a quase R$ 3 milhões dos R$ 4,445 milhões do contrato destinado à qualificação de 1,9 mil profissionais de turismo no Amapá.

Segundo o delegado, os desvios eram feitos por empresários, funcionários do ministério, Ibrasi e empresas de fachada.

“Os recursos eram pagos a empresas que não existiam. Elas constavam no papel, mas ao checarmos os endereços, encontramos terrenos vazios ou outros estabelecimentos”, disse.
Dos presos, seis são servidores públicos, de acordo com a assessoria da PF. Um deles é o secretário-executivo do Ministério do Turismo, Frederico Silva da Costa, segundo homem na hierarquia da pasta, detido em um hotel em Brasília.

Outros dois são o secretário nacional de Desenvolvimento de Programas de Turismo, Colbert Martins da Silva Filho, ex-deputado federal, preso no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, e o ex-presidente da Embratur, Mario Moysés. A PF não informou os nomes dos outros três.

Os demais 29 suspeitos são empresários e funcionários do Ibrasi e de empresas de fachada. Em uma das prisões, a PF fez uma busca na casa do diretor-executivo do Ibrasi e apreendeu R$ 610 mil em espécie.