O vereador Luiz Pedro (PMN) – que figura como acusado em um caso de sequestro, homicídio e ocultação de cadáver – usou a tribuna da Casa de Mário Guimarães, na sessão desta terça-feira, dia 09, para se defender das acusações de ter ameaçado o líder comunitário Fernando dos Santos.
Luiz Pedro destacou ainda que o caso só ganhou repercussão por culpa da imprensa. O vereador – que já esteve preso por conta da ação criminal que responde – se sentiu perseguido por setores da mídia local. “É bom publicar, como fizeram: ‘Mas uma do Luiz Pedro”. Em tom de ironia, ele destacou que da forma como a imprensa o retrata, ele é o “novo Lampião”.
Ao se defender usou de um discurso que comprova o fisiologismo e o clientelismo praticado por alguns vereadores na Casa de Mário Guimarães. De acordo com Luiz Pedro, o líder comunitário Fernando dos Santos o havia procurado – há anos – oferecendo trabalho. O vereador do PMN salienta que o líder que o acusa é especialista no trabalho de “compra de votos”. Para mais tarde, ainda revelar que este trabalhou para o edil Carlos Ronalsa (PP).
Espera um pouco! Se segundo o próprio Luiz Pedro, o trabalho do líder comunitário em questão é “agenciar votos”, que serviços ele teria prestado para Carlos Ronalsa? Com a palavra, o nobre vereador. E Luiz Pedro segue: chama Fernando dos Santos de “enrolão”, o desqualifica, mas mesmo assim – o vereador do PMN, com ares de bom samaritano – diz que ajudou o líder comunitário oferecendo-o uma residência para morar por dois anos, desde que este pagasse as contas de energia e água.
Sabendo – segundo o próprio Luiz Pedro – que ali havia (palavras dele) “um enrolão comprador de votos”, o edil se dispôs a ajudar! Reconheçamos o gesto nobre, não é?!
Claro, Luiz Pedro agiu assim – ao menos é o que ele afirma – com total bom coração. “Ele é um cara que compra voto e eu não compro. Por isso não trabalhou para mim. Mas, liberei a casa – por que ele me disse que estava passando necessidades – para morar por dois anos. Estipulei um salário para ele que era de R$ 600”. A comovente bondade do edil Luiz Pedro contrastou com o discurso de desqualificação de seu novo oponente.
Ele negou – por fim as ameaças – e disse que o presidente da Câmara Municipal de Maceió, Galba Novaes (PRB), presenciou a cena. De acordo com Luiz Pedro, seu pecado foi ter chamado Fernando dos Santos de “enrolão” para alertar Novaes sobre quem era o líder comunitário. “Disse que ele era enrolão e digo! Não o ameacei. Ele que disse: ‘eu sou enrolão, né? Então você vai ver...’. Logo em seguida, ele foi em todos os órgãos me denunciar e a imprensa foi caminhando atrás dele. E aí, eu sou pior que o Lampião nesse Estado”. No fim das contas, espanta as relações altruístas de muitos vereadores com os líderes comunitários, que rondam a Câmara Municipal de Maceió.
Por falar em Luiz Pedro: o vereador do PMN construiu uma escola e a agora luta para repassar esta ao município, desde que seja – evidentemente – ressarcido pelo que foi investido nas benfeitorias feita em terreno que pertence ao poder público. O vereador coloca que a questão envolvendo o terreno já está resolvida, falta apenas superar a burocracia com a Prefeitura Municipal de Maceió. Evidentemente, que altruísmo tem limite!
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