As autoridades sírias isolaram a cidade de Hama nesta quinta-feira, interrompendo o fornecimento de energia elétrica, cortando linhas telefônicas e restringindo o acesso à internet, como continuidade da ação repressiva do regime de Bashar Assad a seus opositores.
A intensificação na campanha militar para encerrar a revolta contra o regime teve início no domingo, quando as forças do ditador sírio invadiram Hama e deixaram ao menos 140 mortos na operação, de acordo com organizações de direitos humanos.
Ativistas expressaram preocupação quanto à piora das condições humanitárias no país, afirmando que medicamentos e alimentos, como pão, estavam em falta mesmo antes do aumento da repressão.
Segundo ativistas, as forças de segurança do ditador mataram ao menos mais sete pessoas em outras partes da Síria na noite de ontem para hoje que haviam saído em protesto após sessão noturna de orações pelo mês sagrado do Ramadã.
Hozan Ibrahim, membro de comitê que acompanha a onda de violência, disse que ao menos 30 pessoas podem ter sido mortas na cidade de Hama na quarta-feira. Um ativista que conseguiu escapar do local sitiado afirmou que as forças armadas que ocuparam o centro com tanques deixaram ao menos 45 civis mortos.
Os meios de comunicação estão cortados ou extremamente prejudicados há pelo menos dois dias. O fornecimento de energia elétrica funciona esporadicamente desde domingo.
Rami Abdul-Rahman, que comanda o Observatory for Human Rights em Londres, disse que cerca de mil famílias já fugiram de Hama nos últimos dois dias.
CONSELHO DE SEGURANÇA
Em reação aos ataques contra cidades sírias, o Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) superou profundas divergências e condenou a sangrenta repressão de Assad contra manifestantes civis na quarta-feira. Foi a primeira medida concreta do órgão com relação à revolta que já dura cinco meses na Síria e pede liberdades políticas.
O documento aprovado é uma declaração presidencial, lida pelo presidente rotativo, o embaixador indiano Hardeep Singh Puri, pedindo o cessar imediato da violência. O órgão requisita também que opositores do regime sírio evitem novas reações ao regime do ditador Bashar Assad.