O presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), afirmou nesta sexta-feira, no Rio de Janeiro, que a presidente Dilma Rousseff está mandando dois tipos de recado com as recentes mudanças ministeriais. O primeiro, de acordo com o deputado, é para a sociedade. Segundo ele, "a presidente não será conivente com a malversação do dinheiro público". O segundo recado, afirmou Maia, é para o próprio governo. "Não se pode ser tolerante com quem desagregue a equipe", disse.
Nos últimos dois meses, três ministros de Dilma caíram. O primeiro foi o ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci, que não resistiu às pressões para que explicasse a multiplicação de seu patrimônio em 20 vezes em quatro anos. No dia 6 de julho, foi a vez de Alfredo Nascimento deixar o Ministério dos Transportes, também após desconfianças sobre aumento de patrimônio e denúncias de desvio de dinheiro na pasta. Ontem, Nelson Jobim deixou o Ministério da Defesa após a publicação de uma entrevista para a revista Piauí, na qual chama a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, de "muito fraquinha" e também afirma que Gleisi Hoffmann, chefe da Casa Civil, "nem sequer conhece Brasília".
Para o deputado, os comentários de Jobim foram de tom desagregador. "Não sei se foi falta de diplomacia. Ele foi traído pelo próprio estilo, que é mais polêmico, solto, desprendido no uso das palavras", avaliou.
Segundo Maia, a escolha do ex-chanceler Celso Amorim para substituir Jobim não terá reação dos militares. Ontem, a oposição criticou a escolha, dizendo que Amorim tinha posições ideológicas que não seriam compatíveis com o cargo. "Na área militar, há a hierarquia. Uma vez tomada a decisão pela presidente, tem que ser seguido", afirmou. Segundo ele, as divergências em relação ao nome de Amorim são normais. "Em uma organização tão grande como as Forças Armadas, haverá sempre opiniões diferentes", disse.
O deputado defendeu o nome de Amorim apostando justamente na diplomacia do ministro, que comandou as Relações Internacionais brasileiras de 2003 a 2010. "O ministro conhece muito bem a Defesa, as estratégias do Brasil. Amorim vai ajudar a potencializar os esforços brasileiros", afirmou.
Comissão da Verdade
Na opinião de Maia, a saída de Jobim não deve atrapalhar na formação da Comissão da Verdade, que vinha sendo costurada pelo ex-ministro. Segundo ele, Amorim vai dar continuidade ao diálogo já em andamento. "O mais importante é conseguir os acordos para que a comissão tenha força e possa trabalhar", afirmou.
Reunião do PT
Marco Maia está no Rio de Janeiro para participar da reunião trimestral do Partido dos Trabalhadores. O PT discute estratégias para o IV Congresso Nacional Extraordinário do partido, que ocorrerá nos dias 2, 3 e 4 de setembro, em Brasília, e para as eleições municipais de 2012.