O Diário Oficial da União publica nesta sexta-feira os decretos de exoneração e nomeação dos cargos de comando no Ministério da Defesa. Um dos decretos, datado de quinta-feira e assinado pela presidente Dilma Rousseff, exonera, a pedido, o ex-ministro Nelson Jobim. O outro nomeia o ex-ministro das Relações Exteriores Celso Amorim para o cargo.

Um dos nove ministros a ficar no cargo depois de Dilma Rousseff assumir a Presidência, Jobim deixa o Ministério da Defesa depois de quatro anos de gestão. Presidente do Supremo Tribunal Federal de 2004 a 2006 e ministro da Justiça do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-1997), Nelson Jobim assumiu cobrando pontualidade e segurança das empresas aéreas. Também promoveu mudanças nas direções da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), então alvos de denúncias de ineficiência e corrupção. Com isso, conseguiu atenuar os problemas no setor aéreo. Na área militar, ele ganhou prestígio com os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.

Com o ex-ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos Roberto Mangabeira Unger, Jobim elaborou a Estratégia Nacional de Defesa. O plano estabelece ações de médio e longo prazo, com o objetivo de modernizar a estrutura nacional de defesa por meio de uma nova filosofia de emprego das Forças Armadas.

Para o lugar de Jobim vai Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores de Itamar Franco (1992/94) e Lula (2003/10). Amorim foi um dos responsáveis pelo direcionamento da política externa brasileira para o Oriente Médio, a América do Sul, a África e nações emergentes.

A demissão de Jobim
O ministro da Defesa, Nelson Jobim (PMDB), entregou sua carta de demissão à presidente Dilma Rousseff no dia 4 de agosto. Sua situação se tornou insustentável no governo após declarações dadas à revista Piauí em que teria considerado a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, "muito fraquinha" e dito que a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, "sequer conhece Brasília". Jobim negou ter feito as críticas e disse que as informações seriam "parte de um jogo de intrigas". Mas, segundo fontes, Dilma já havia decidido demitir o ministro caso ele não abandonasse o cargo por conta própria. Para seu lugar, a presidente escolheu o ex-ministro das Relações Exteriores Celso Amorim.

A situação de Jobim à frente da pasta já vinha se deteriorando por outras declarações à imprensa que geraram mal-estar no governo. Em uma entrevista, ele afirmou ter votado no tucano José Serra, principal adversário de Dilma, nas eleições presidenciais do ano passado. No início de julho, em uma cerimônia em homenagem ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) - de quem ele foi ministro da Justiça entre 1995 e 1997 - no Senado Federal, ele citou o dramaturgo Nelson Rodrigues dizendo que "os idiotas perderam a modéstia". A fala foi interpretada como uma insatisfação do ministro com sua situação no governo. Mais tarde, contudo, ele disse que se referia a jornalistas.