Cerca de 16 pessoas prestaram depoimento na terça-feira (2), na delegacia da Polícia Federal, em Ilhéus, no sul da Bahia, sobre o caso de fraudes em consultas feitas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em clínicas particulares da cidade.
De acordo com o delegado da PF em Ilhéus, Fábio Marques, foram ouvidos funcionários das clínicas suspeitas e pacientes que estavam nas unidades no dia da 'Operação Susto'. Eles relataram à polícia que tiveram que pagar para serem atendidos pelo SUS com brevidade nas clínicas particulares.
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Ainda segundo Marques, todo material apreendido, como computadores e documentos contábeis, será encaminhado para perícia no setor técnico científico da Superintendência da Polícia Federal em Salvador, ainda nesta semana. O delegado explicou que só haverá prisão se a fraude for comprovada através da perícia. O resultado deve sair em 30 dias.
Na terça-feira (2) algumas clínicas que foram alvo da operação da Polícia Federal estavam funcionando normalmente. Em uma delas, no centro da cidade, a maior parte dos atendimentos é feita por meio de planos de saúde ou particular. Segundo a administração da clínica, apenas a endoscopia e os exames para garganta, ouvido e nariz são feitos pelo SUS e não são cobrados do paciente.
Em outra clínica, também no centro, 17 especialidades são atendidas, entre elas cardiologia, ginecologia e cirurgia plástica. De acordo com a administração da unidade, apenas os exames de raios-X e as consultas com urologistas são feitos gratuitamente, mas a clínica não tem convênio com o SUS. O paciente apenas usa a guia do Sistema Único de Saúde para ter um desconto e depois do atendimento a solicitação é rasgada.
Operação
A 'Operação Susto" foi deflagrada pela Polícia Federal na manhã de terça-feira (2), com o objetivo de comprovar fraudes em clínicas de Ilhéus, através do Sistema Único de Saúde.
De acordo com informações da PF, denúncias feitas pelos pacientes relatam que funcionários de algumas unidades de saúde do município cobravam uma taxa para fazer o agendamento de atendimento para pacientes do SUS. Sem o pagamento, o atendimento seria agendado para 30 dias após a solicitação. Cada pessoa pagava cerca de 60% a 70% do valor de uma consulta particular.