O ministro da Defesa, Nelson Jobim, antecipou a volta a Brasília, por conta da crise que pode levar à sua saída do cargo. O ministro passou o dia em Tabatinga (AM), para assinatura de um acordo com a Colômbia de proteção de fronteira. Inicialmente, Jobim deveria chegar a Brasília apenas no fim da noite. Agora, a expectativa é que esteja na capital federal por volta das 19h30.
Após a chegada, Jobim deve conversar com a presidente Dilma Rousseff sobre seu futuro a frente do ministério. A permanência no cargo ficou mais incerta depois das declarações do ministro à revista Piauí, reveladas pelo jornal Folha de S.Paulo. Na entrevista, Jobim teria considerado a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, "fraquinha", e dito que a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, "nem sequer conhece Brasília". Jobim negou ter feito as críticas e disse que as informações seriam "parte de um jogo de intrigas".
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), minimizou a declaração de Jobim, dizendo que a articuladora política do governo, Ideli Salvatti, "é até bem gordinha, não é bem fraquinha". Depois de reunir-se com Ideli, o líder do PR na Câmara dos Deputados, Lincoln Portela (MG), disse que a ministra "brincou" em relação ao que disse o presidente do Senado: "o presidente Sarney quis dizer que ela estava 'fortinha', não 'gordinha'". Segundo o deputado, Ideli "não teceu nenhum comentário sobre o ministro Jobim", durante a reunião. "Relevou isso e está seguindo em frente."
Na última semana, outra declaração de Jobim à imprensa gerou mal-estar no governo. Em entrevista, ele declarou seu voto no tucano José Serra nas eleições presidenciais do ano passado. A série de frases polêmicas, contudo, começou no início de julho, em uma cerimônia em homenagem ao ex-presidente Fernando Henrique Cardozo no Senado Federal. Ao discursar, citou o dramaturgo Nelson Rodrigues, dizendo que "os idiotas perderam a modéstia". A falta foi interpretada como uma insatisfação do ministro com sua situação no governo. Mais tarde, contudo, ele disse que se referia a jornalistas.
Em Tabatinga, Jobim esteve ao lado do vice-presidente da República, Michel Temer, e com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, cujo nome já está sendo especulado para substituir Jobim no comando da Defesa.