O terceiro dia de julgamento dos padres acusados de pedofilia em Arapiraca terminou com o depoimento do Padre Edilson Duarte. Nesta terça-feira (02), o juiz João Luiz de Azevedo Lessa, titular da 1ª Vara Judiciária da Infância e Juventude, onde acontece as audiências, ouviu também os monsenhores Raimundo Gomes e Luiz marques, além das últimas testemunhas de defesa e acusação.

O primeiro a ser ouvido nesta terça foi o advogado Daniel Fernandes como testemunha de defesa. Fernandes não quis falar com a imprensa, mas segundo o advogado dos padres, Edson Maia, ele confirmou o que já havia dito – que os ex-coroinhas extorquiram os sacerdotes.

Daniel Fernandes ficou conhecido após aparecer na reportagem exibida pelo Conexão Repórter do SBT como intermediário no pagamento de dinheiro para os ex-coroinhas. Eles chantagearam para que o padre pagasse uma certa quantia em dinheiro em troca do silêncio”, disse o advogado na época que o vídeo apareceu na mídia.

O segundo a ser ouvido foi o filho de Carmelita, Alterman Lima, que representa os ex-coroinhas e é suspeito de divulgar cópias do DVD por toda cidade. A última testemunha foi a delegada Barbara Arraes, que já havia prestado esclarecimentos no dia 22, mas foi convocada novamente. Ela encontrou cremes vaginais e garrafas de whisk durante inspeção na residência do monsenhor Luiz Marques.

Novas Acusações 

O comerciante Alterman Lima, filho da religiosa Carmelita e suspeito de divulgar cópias do DVD por toda cidade, contou que teve um irmão e um sobrinho, ambos adolescentes, abusados por um dos sacerdotes.

De acordo com defensor público André Chalub, o depoimento de Alterman Lima representa um fato novo em relação a acusação original.

“O caso dos ex-coroinhas não tem nada a ver com esses meninos. Podemos pedir a abertura de um novo processo, já que se trata de um novo caso”, explicou o defensor.

Chalub contou que o crime atinge diretamente pedofilia, o que precisaria de provas mais concretas. “Não seriam apenas acusações", afirma.

No vídeo que mostra o monsenhor Luiz Marques em uma atividade sexual com adulto, já essa denúncia do Alterman fala em pedofilia claramente. Ele terá que reunir provas já que um novo processo poderá ser aberto, porém ele ainda não manifestou se iria denunciar o fato ou não”, disse.

Padres

Após todas as testemunhas de defesa e de acusação serem ouvidas, iniciou os depoimentos dos sacerdotes. O primeiro a falar foi Luiz Marques. O segundo sacerdote a depor foi Raimundo Gomes e o terceiro e último, o padre Edilson Duarte.

Todos os três saíram rapidamente da sede da 1ª Vara Judiciária da Infância e Juventude e sem responder as perguntas da imprensa. O juiz confirmou a imprensa que o padre Luiz Marques teria dito em depoimento que o vídeo mostrava a única vez que ele teria tido uma relação sexual com um dos jovens.

Áudio da CPI

O juiz João Luiz de Azevedo Lessa contou à imprensa que o próximo passo do julgamento será a diligencia solicitada pelo assistente de acusação. Ele pediu o áudio integral da audiência da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia realizada no Fórum de Arapiraca. O prazo para que o áudio seja encaminhado a justiça alagoana é de dez dias.

Alegações

Após o envio do áudio da CPI, de acordo com o magistrado, será dado um prazo ao promotor de justiça, Alberto Tenório de Vieira, para que seja realizada a argumentação final. Depois, um novo prazo de três dias será dado para a alegação do assistente de acusação.

A defesa dos sacerdotes terá o prazo de 21 dias, sendo sete para cada acusado, para realizar sua argumentação. Só a partir daí, o juiz João Luiz de Azevedo Lessa terá também dez dias para anunciar a sentença, que segundo ele, será feita em uma coletiva com a imprensa.

“Estamos esperando apenas as diligencias requeridas pela acusação. Nesta quarta, o cartório enviará o oficio a CPI da Pedofilia no Senado Federal pedindo o áudio da audiência realizada em Arapiraca”, destacou o magistrado, contando ainda que todas as alegações das partes serão feitas em forma de memoriais.