O presidente Barack Obama promulgou nesta terça-feira um plano de austeridade orçamentária e de aumento do teto da dívida americana, aprovado momentos antes no Senado, desativando definitivamente o risco de ''default'' na maior economia mundial.

Obama promulgou o plano menos de duas horas depois de este ter sido aprovado pelo Senado com 74 votos a favor e 26 contra. Na segunda-feira, tinha recebido a aprovação da câmara baixa.

O acordo foi alcançado depois de longos meses de intensas negociações, algumas horas antes da meia-noite desta terça-feira (01h00 de Brasília da quarta-feira), quando os Estados Unidos ultrapassaria o limite legal de sua dívida e poderia ficar sem dinheiro para cumprir seus pagamentos.

O acordo eleva o teto da dívida, fixado atualmente em 14,3 trilhões de dólares, em mais de 2 trilhões de dólares, e prevê corte de gastos de ao menos 2,1 trilhões.

Rapidamente, Obama virou a página da desgastante luta política pelo teto da dívida, e pediu ao Congresso que focasse agora em impulsionar o frágil crescimento da economia do país e diminuir o desemprego, atualmente em 9,2%.

"Devemos fazer tudo o que está em nosso poder para fazer esta economia crescer e fazer a América voltar ao trabalho", afirmou o presidente na Casa Branca.

O presidente enumerou uma série de medidas que disse esperar que os congressistas discutam em setembro, depois de seu recesso de verão.

Entre essas medidas, estão os acordos de livre comércio com Colômbia, Panamá e Coreia do Sul, assinados há vários anos, que esperam a ratificação do Congresso.

No Senado, após o voto, o chefe dos democratas, Harry Reid, fez eco às palavras de Obama: "o trabalho número um do Congresso deve ser criar empregos para os americanos".

Os mercados financeiros continuaram refletindo a incerteza diante do futuro econômico dos Estados Unidos.

As principais Bolsas europeias fecharam no vermelho: o Ibex 35 da Bolsa de Madri caiu 2,18%, o índice FTSE Mib da Bolsa de Milão perdeu 2,53%, a Bolsa de Londres caiu 0,97%, o CAC 40, principal índice da Bolsa de Paris, cedeu 1,82% e o DAX da Bolsa de Frankfurt fechou o pregão também em queda, de 2,26%.

As bolsas asiáticas também caíram.

Em Nova York, Wall Street evolui no vermelho às 16h00 GMT (13h00 de Brasília), com o Dow Jones perdendo 0,77% e o Nasdaq, 0,91%.

Analistas advertiram que este plano poderá não ser suficiente para evitar que a nota "AAA" - a mais alta classificação - da dívida americana seja reduzida.

No entanto, a agência Fitch Ratings deu um respiro aos Estados Unidos ao considerar que o acordo orçamentário do Congresso está de acordo com a manutenção da classificação "AAA".

A diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, saudou o acordo, mas advertiu que agora "o desafio" dos Estados Unidos é "conceber um marco de equilíbrio do orçamento que integre metas claras sobre a dívida e o déficit de médio prazo".

Os republicanos disseram que cortar os gastos criará emprego, mas economistas em Wall Street advertiram que as medidas de austeridade serão uma carga a mais para a já prejudicada economia americana.

O furo enfrentamento para elevar o teto da dívida foi uma mostra da polarização política que está se acentuando à medida que se avança para as eleições presidenciais de fins de 2012, quando Obama buscará a reeleição.

Vários congressistas da ala mais conservadora republicana, o Tea Party, entre eles a pré-candidata presidencial Michele Bachmann, tiveram destaque durante as negociações, resistindo a um acordo que não tivesse drásticos cortes orçamentários, e se opuseram definitivamente ao projeto de lei.

No outro extremo, os democratas liberais se mostravam perturbados, porque o plano não incluía aumentos de impostos aos mais ricos.

O acordo inclui mais de 900 bilhões de dólares em cortes na próxima década, dos quais 350 bilhões de dólares na Defesa.

Um comitê do Congresso terá a difícil tarefa de recomendar outros 1,5 trilhão de dólares em cortes, para 23 de novembro. Caso não consiga, ocorrerão cortes automáticos, sobretudo na Defesa, apesar de preservarem os programas de seguridade social, apoiados pelos democratas e por Obama.

O plano dá também um respiro a Obama, já que eleva o teto da dívida até 2013, pelo que não terá de se preocupar com esse tema durante sua campanha na qual busca ser reeleito nas presidenciais de 2012.