Anders Behring Breivik deve ser condenado ou submetido a tratamento em hospital psiquiátrico? Ouvidos sobre a responsabilidade penal do autor do massacre de 22 de julho na Noruega, os médicos defendem a prisão, destacando, principalmente a longa e minuciosa preparação dos fatos que chocaram o mundo.
O extremista norueguês, de 32 anos, deve começar a ser examinado por dois renomados psiquiatras, a pedido do tribunal de Oslo: os doutores Synne Serheim e Torgeir Husby devem entregar seu relatório até o mês de novembro. A decisão final de julgá-lo ou não, retornará, então, à justiça.
Para ser considerado irresponsável por seus gestos, seria preciso, segundo a lei norueguesa, que Behring Breivik fosse portador de uma psicose (delírio, demência, loucura, paranoia, esquizofrenia...), como sugeriu seu advogado, ao dizer que ele era "demente", com quase toda a certeza.
Mas, ser clinicamente psicótico, não é suficiente para escapar da pena na Noruega, destaca Tor Ketil Larsen, professor de psiquiatria do Hospital Universitário de Stavanger.
"Além da psicose, é preciso que não tenha a capacidade de compreender realmente sua própria relação com a realidade, segundo o artigo 44 do Código Penal norueguês", explica.
Suspeita-se que, ao redigir um manifesto de 1.500 páginas num inglês perfeito, pareça inteligente e consciente de seus atos.
Uma rara possibilidade que poderia livrar Behring Breivik da prisão seria a esquizofrenia, segundo o professor Larsen, destacando que 4% dos esquizofrênicos têm um Q.I. elevado, como parece o caso do assassino, comenta - uma opinião partilhada por outra especialista Randi Rosenqvist.
Qualquer que seja sua loucura, no sentido popular do termo, "ele se conteve, para agir sob um impulso psicótico", declarou ela ao jornal norueguês Dagbladet, destacando, no entanto, a necessidade de uma perícia mais aprofundada.
Os psiquiatras concordam que Anders Behring Breivik possui traços aparentes de narcisismo e megalomania, visíveis nas fotos em que aparece em diversos uniformes cheios de condecorações, no seu interminável manifesto de 1.500 páginas e na sua convicção de realizar uma "missão".
"Acho que estamos de acordo sobre perturbações narcisistas de sua personnalidade, com uma visão grandiosa dele próprio e de seu pensamento", disse à AFP Per Boerre Huseboe, psiquiatra aposentado do hospital norueguês e que trabalha como perito judiciário.
Ele considera, no entanto, "possível" que o norueguês seja psicótico, principalmente devido à falta evidente de emoções durante e após o massacre da ilha de Utoeya, onde abateu, uma por uma, 69 pessoas e feriu várias dezenas de outras, em maioria adolescentes.
Como a eventual doença mental de Behring Breivik teria passado despercebida? "Ele viveu socialmente isolado durante muito tempo e parece ter mantido poucos contatos com a família e seus poucos amigos", comenta Tor Ketil Larsen. "Em teoria, é possível conviver com uma psicose em sociedade durante anos sem que se saiba que deva ser necessário um tratamento".
Geir Lippestad, o advogado escolhido por Behring Breivik, destacou esta semana que seu cliente vivia, segundo ele, "na própria bolha" sendo muito difícil ser compreendido pelos outros. "Possui sua própria concepção da realidade", destacou.