Com o aval do Palácio do Planalto, o ministro da Agricultura, Wagner Rossi (PMDB), deverá ir ao Congresso Nacional para explicar denúncias de corrupção e irregularidades em sua pasta. De acordo com o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), a Comissão de Agricultura irá apreciar na próxima semana o depoimento do ministro.

Os esclarecimentos de Rossi são justificados pela reportagem da revista Veja em que o ex-diretor da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Oscar Jucá Neto, denuncia a existência de um consórcio entre o PMDB e o PTB para controlar a estrutura do Ministério da Agricultura com o objetivo de arrecadar dinheiro e favorecer aliados. Jucá Neto é irmão do senador Romero Jucá.

Jucá, que foi responsável pela indicação do irmão para o cargo na Conab, evitou falar em "arrependimento" na indicação. Na segunda-feira, o senador chegou a pedir desculpas à presidente Dilma Rousseff pelas denúncias. "Propus o nome dele ao PMDB, que aceitou. Não adianta a questão de arrependimento ou não agora. A discussão agora é prestar os esclarecimentos necessários e encerrar esse episódio", disse ele, e explicou. "A indicação era técnica. Não é porque houve um destempero e saiu de uma forma que não deveria ser feito, isso não invalida a indicação técnica. Não tem a questão de ser parente ou não. Era uma indicação técnica."

O senador admitiu ter havido desgaste com as revelações do irmão. "O assunto da entrevista (de Jucá Neto) está superado. A oposição vai tentar qualquer coisa que provoque desgaste no governo. A gente não pode esperar nada diferente da oposição. O assunto em si se esgota na investigação do ministro Wagner Rossi. Desaprovo a posição que meu irmão fez. Ele fez equivocadamente", resumiu o líder governista.