Uma jovem iraniana que ficou cega e teve o rosto desfigurado ao ser atacada por um homem que se vingou jogando ácido por ela ter dito não a seu pedido de casamento, perdoou o agressor e solicitou que não fosse aplicada a chamada Lei de Talião, que faria com que o agressor perdesse a visão. Ameneh Bahrami, que atualmente reside na Espanha, evitou assim que fosse executada pela primeira vez no Irã uma pena deste tipo.

Majid Movahedi jogou ácido no rosto de Bahrami porque a estudante, que frequentava a mesma universidade que ele, havia rejeitado seus pedidos de casamento. A vítima ficou completamente desfigurada e perdeu a visão apesar das 17 cirurgias que fez na Espanha. A lei da retaliação é normalmente aplicada no Irã em casos de assassinato. A família da vítima deve pedir expressamente sua aplicação, que ainda depende de uma autorização do juiz. A condenação de Movahedi foi determinada pelo Supremo Tribunal em 2009.

Muitas associações de direitos humanos, como a Anistia Internacional, também tentaram evitar essa punição, informou a imprensa local. "Ameneh Bahrami, vítima de um ataque com ácido, perdoou no último momento seu agressor e renunciou ao direito de reclamar a Lei de Talião, que devia ser aplicada hoje (domingo)", afirmou o site de uma televisão iraniana.

O promotor de Teerã, Jafar Dolatabadi, disse à agência Isna que Bahrami desistiu de reclamar a cegueira de seu agressor, mas a jovem exigiu uma indenização baseada no princípio do "dinheiro de sangue".

Majid Movahedi foi condenado em 2008 a perder a visão com ácido por haver desfigurado e cegado Bahrami em 2004. O rapaz foi sentenciado de acordo com a Lei de Talião, ou lei da retaliação, prevista pela lei islâmica e em vigor no Irã. Ela deveria ter sido aplicada em 14 de maio, mas as autoridades decidiram adiá-la para este domingo, sem dar explicações.

Bahrami, de 30 anos, afirmara que as autoridades a pressionaram para que ela renunciasse ao direito de reclamar a aplicação da pena. A retaliação foi denunciada pela Anistia Internacional e várias outras associações de defesa dos direitos humanos, que alegaram que a pena era "um castigo cruel e desumano, equivalente a um ato de tortura".

"Lutamos muito para obter este veredicto e me sinto orgulhosa de que Ameneh tenha tido a força necessária para perdoar Majid", disse a mãe de Bahrami à agência Isna. Bahrami, que recebe uma pensão vitalícia por invalidez dada pelo governo espanhol, havia afirmado em várias oportunidades que queria que a sentença fosse aplicada. "Eu sofri bastante nos últimos anos, só agora, depois de muito tempo, me sinto realmente feliz", disse, em uma entrevista publicada em maio pelo jornal Haft-e Sobh.

"Eu gostaria de aplicar a pena eu mesma, mas sei que não posso e que um médico fará", disse a jovem, que viajara em maio para o Irã para assistir à aplicação do castigo. Ela explicou ainda que queria que a pena da retaliação fosse aplicada "não para que o agressor passasse pelos mesmos sofrimentos que ela, mas sim porque isso poderia dissuadir aqueles que poderiam pensar em cometer crime semelhante".

A Corte também confirmou em dezembro de 2010 uma pena semelhante a um homem declarado culpado de cegar com ácido o amante de sua mulher. Não se sabe mais a respeito da aplicação desta sentença.