Dezenas de milhares de egípcios se manifestaram nesta sexta-feira na praça de Tahrir no Cairo em um protesto com caráter islâmico, que está sendo um dos maiores desde a revolução que derrubou o regime de Hosni Mubarak, em fevereiro.

Ao contrário das manifestações anteriores, nos quais predominaram slogans políticos, desta vez palavras de ordem como "o povo quer a aplicação da sharia (lei islâmica)", "não há mais Deus que Alá, e Maomé é seu profeta" e "Egito é um país islâmico, não uma província americana" foram os mais gritados.

A maioria dos grupos políticos laicos se uniram à manifestação, batizada como "sexta-feira da unidade e a reunificação", convocada pelo movimento islâmico Irmãos Muçulmanos, a principal força política do país, e as organizações salafistas (corrente sunita fundamentalista).

O protesto começou após a reza muçulmana do meio-dia, no qual o imame Mazhar Shahin, conhecido como o "predicador da revolução", foi o encarregado de pronunciar o sermão em Tahrir.

"Nenhum grupo tem direito a pedir que se exclua a qualquer outro diferente dele, já que todos somos egípcios sob o mesmo céu desta pátria", disse Shahin, que insistiu um Egito islâmico "supõe a verdadeira garantia que os cristãos vivem seguros."