pós o governo endurecer as regras para concessão do passaporte diplomático, em janeiro, o Itamaraty já chancelou a emissão de 89 deles, informa o "Painel", editado interinamente por Ranier Bragon, na edição desta terça-feira da Folha (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).

Em seis meses, o número de emissões ultrapassa a média anual desde 2006-66.

O passaporte diplomático de caráter excepcional facilita a entrada e saída nos aeroportos internacionais e só deve ser emitido para atender a "interesse do país".

Entre os novos portadores do documento estão os ex-ministros do STF Francisco Rezek, Sydney Sanches e Néri da Silveira --este com sua mulher, Ilse--, o chefe de gabinete de Dilma, Giles Azevedo, o presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, e assessores de imprensa do vice-presidente Michel Temer.

Em janeiro, a Folha revelou que Marcos, 39, e seu irmão Luís Cláudio Lula da Silva, 25, receberam o superpassaporte em caráter excepcional. O pedido foi feito pelo então presidente Lula, com a justificativa de ser "interesse do país". Outros três filhos e três netos de Lula também receberam o benefício.

Após a revelação do caso, o Itamaraty resolveu alterar as regras da entrega desses documentos: só poderá ser feita agora por meio de uma "solicitação formal fundamentada" e com a divulgação da concessão no "Diário Oficial da União".

Entre 2006 e 2010, foram concedidos 328 passaportes diplomáticos sob a alegação de "interesse do país". Na avaliação do Ministério Público, somente os passaportes concedidos à família de Lula foram dados de forma irregular.