A presidente Dilma Roussef que estará em Alagoas amanhã para um encontro com governadores do Nordeste recebeu para um jantar no sábado no Palácio do Planalto, o blogueiro da rádio Globo, jornalista Jorge Bastos Moreno, numa entrevista longa e cheia de revalações.

Além dos temas recorrentes como a crise no Ministério dos Transportes, ela deu sua opinião sobre vários governadores e sobrou até para o de Alagoas, Teotônio Vilela Filho.
A presidenta Dilma classificou o governador tucano Teotonio Vilela de manhoso e muito simpático. Segundo ele "é difícil não o atender!."

A opinião da Dilma sobre governadores:

— Tenho uma boa convivência com todos eles, inclusive com os da oposição. Gosto muito, mas gosto muito do Anastasia, por exemplo. E o Téo Vilela, o que é aquilo? Que simpatia, todo manhoso. É difícil não o atender! Eu adoro o Eduardo Campos, adoro a mulher dele, dona Renata. Eu só chamo assim porque o Eduardo Campos só chama ela de "dona Renata". Ah, deixa eu falar do Jaques Wagner. Meu Deus! Se eu me esquecer do Jaques Wagner, não volto à Bahia.

Amizade a FHC

Eu não ia entrar neste tema, mas foi a própria presidente que invadiu primeiro a minha intimidade.
— Você tem que se definir entre a Mariana Ximenes e a Manuela D’Ávila — cobrou ela, sobre um assunto que falo mais adiante.
Foi a deixa para eu entrar no tema preferido do colunista Nelson Motta:
— A senhora vive o mesmo dilema. Eu soube que o Lula cobra muito da senhora esta sua amizade com FH.
Dilma reage no lance, quase pulando da cadeira:
— Não é verdade! Isso não é verdade! O presidente Lula nunca tratou desse tema comigo, nem em brincadeira!
— Diretamente, não. Mas ele já se queixou para terceiros na sua frente.
Diante do fato, a confissão inevitável, e às gargalhadas:
— Meu Deus! Como esse Sérgio Cabral é fofoqueiro! Ah, ele me paga! Pode escrever, ele me paga!
E já como ré confessa:
— Realmente, o presidente Fernando Henrique é uma pessoa muito civilizada, muito gentil. É uma conversa muito agradável. Tem gente que fica estarrecida com essa convivência, já que temos pensamentos políticos diferentes. Exatamente por isso é que as pessoas devem conversar. O governante, o político, não pode ficar limitado ao pensamento do seu grupo. Eu defendo a convivência dos contrários. Há pessoas muito agradáveis e inteligentes no governo e na oposição. Acho que, não só pelo prazer da boa prosa, mas, como presidente da República, tenho o dever de conversar com os diversos pensamentos da sociedade. Eu não sou presidente de um partido ou de uma coligação partidária, eu sou presidente da República.
E eu insistindo:
— Mas o PT não fica com ciúmes do FH?
— O PT já tá bem grandinho para não ter ciúmes de ninguém. Ciúme é um sentimento juvenil, eu acho.
Tento mais uma investida, já na saída do encontro:
— FH diz ter muitas saudades da piscina daqui. Quando ele era presidente, trouxe Lula aqui. Deixa ele tomar banho na piscina daqui, presidente!
E a presidente, toda faceira, fazendo-se de desentendida:
— Mas neste frio?
Pronto, FH, bem que tentei te ajudar, mas não consegui.

Solidão do Poder

Com um governo tão agitado, Dilma diz ainda não ter experimentado a chamada solidão do poder:
— Passei a conviver, isto sim, com a decisão solitária. Presidente da República tem que decidir e ser responsável pela decisão. É o momento grave, importante, que eu tenho comigo mesma. Posso ouvir e ouço, mas a decisão é minha. Essa é a maior responsabilidade do presidente da República: saber decidir.
— E, nessa hora sagrada, a senhora não pensa, por exemplo, o que fariam seus antecessores diante de situação semelhante? Sendo mais direto, a senhora não pensa se a sua decisão vai agradar ao Lula ou não?
— Olha, a responsabilidade é tão grande que a gente não pensa em agradar ou desagradar. A gente só pensa em tomar a decisão mais justa, mais correta. A responsabilidade é do presidente da República perante a nação. A responsabilidade do presidente da República é intransferível. Não dá para pensar em ninguém.