urante uma hora e 22 minutos, no final da manhã desta sexta-feira, a presidente Dilma conversou com um grupo de jornalistas no Palácio do Planalto, reafirmando, a despeito das queixas dos partidos aliados, que fará o que for necessário para reestruturar o Ministério dos Transportes:

- Sairão todos os diretores do Dnit e da Valec. Estamos fazendo uma renovação. Todos sairão. Mas não tem nenhuma análise de valor sobre eles (os demitidos).

A presidente fez uma análise da crise econômica mundial e do propósito do governo de manter a inflação sob controle, além de reforçar sua decisão de fazer uma reestruturação no setor de Transportes, que está no meio de uma crise que se arrasta há mais de 20 dias. Ele reafirmou o compromisso de combate à inflação, salientando, porém, que a política será gradual para não prejudicar o crescimento econômico:

- Não queremos inflação sob controle com crescimento zero. (...) Estamos fazendo o chamado pouso suave.

Sobre a crise financeira que afeta os Estados Unidos e a Europa, a presidente afirmou que o Brasil está pronto para adotar medidas duras diante de qualquer ameaça. Mas manifestou preocupação com o cenário:

- O momento é de muito pouca clareza no mundo.

Crise que tem interferido em algumas decisões internas. Dilma disse que uma das mais aguardadas promessas de sua campanha eleitoral, o envio ao Congresso de um projeto desonerando a folha de pagamentos está sendo adiado por causa da insegurança gerada pelos desdobramentos da crise financeira internacional.

CONTROLE DA INFLAÇÃO

"O superávit primário, nós cumprimos acima da meta. Até maio, a administração centralizada fez um superávit de 45,5% para uma meta de 81,7%. Fizemos mais da metade em cinco meses". "Não vamos derrubar a economia a ponto de não termos mecanismos de estabilização". "Temos pressão inflacionária conjuntural. Uma delas a do etanol".

CRISE MUNDIAL

"Você acha que podemos fazer alguma coisa? Não dá. Pois não sabemos se de fato eles estão brincando à beira do abismo ou se eles já conseguiram criar uma rede de proteção. Veja, por exemplo, os Estados Unidos e o debate sobre o teto do endividamento americano. Nunca se sabe até que ponto vai a irracionalidade política. O momento é de muito pouca clareza no mundo".

CRISE NO MINISTÉRIO DOS TRANSPORTES

"Não sei baseado em que elemento as pessoas fazem esta avaliação (a de que a presidente está queimando a gordura que lhe foi deixada pelo ex-presidente Lula)". "Não vejo como medidas necessárias na administração (prejudiquem a relação do governo com a base). É uma tentativa de criar uma crise onde não existe". "Não podemos demonizar a política. O deputado tem direito a lutar para que recursos sejam investidos na sua base eleitoral. Essa relação é democrática, não tem nada de errado".

"Cansei de receber juntos governadores, de estados mais pobres, acompanhados das bancadas de oposição e situação, unidos em defesa de recursos para determinados projetos. Eu não posso olhar e demonizar essa relação. Mas tem relação que não é correta. Neste caso, afasta e apura. De qualquer forma temos que ter cuidado, porque tem gente inocente. No caso do Ministério dos Transportes, optamos por uma modificação geral".

LEI DE ACESSO AOS DOCUMENTOS OFICIAIS SECRETOS

"Os ministérios da Defesa e das Relações Exteriores estão de acordo com a proposta que foi aprovada na Câmara e está para ser votada no Senado. Eles amadureceram para essa posição. Queremos que as pessoas que não têm essa compreensão passem a ter. As duas pastas estão com a tarefa de conversar com os senadores Fernando Collor (PTB-AL) e José Sarney (PMDB-AP) (ambos têm restrição à regra de que os documentos serão secretos por 25 anos com uma prorrogação de mais 25). As questões relacionadas aos direitos humanos não terão qualquer sigilo. As que se referem à proteção ao conhecimento tecnológico, não são objeto desta legislação".