Autodenominando-se um "ajudante da presidente Dilma (Rousseff)", o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, no final da tarde desta quarta-feira, que os cortes no Ministério dos Transportes podem chegar "a 100, a 1 milhão, a 10 milhões". Para ele, as pessoas não serão punidas se "não cometerem erros". Lula deu as declarações na cidade de Feira de Santana, segunda que visita hoje na Bahia.

O ex-presidente garante que afirmava, na época em que ocupava o Palácio do Planalto, que "se as pessoas agirem com honestidade e decência, todo mundo poderá ser absolvido; se as pessoas cometerem erro, pagam pelos erros que cometerem. Isso vale para a presidente Dilma, valeu para mim e vale para qualquer um". Lula não quis responder se a crise no Ministério dos Transportes desestabiliza o governo.

Junto com o governador da Bahia, Jacques Wagner (PT), Lula visitou as instalações do Hospital Estadual da Criança (HEC), em Feira de Santana, e seguiu para Salvador, onde teve um encontro fechado com lideranças e parlamentares do PT do Estado. Amanhã, ele participa do lançamento do Plano de Safra da Bahia 2011/2012.

A queda do ministro dos Transportes
Uma reportagem da revista Veja do início de julho afirmou que integrantes do Partido da República teriam montado um esquema de superfaturamento de obras e recebimento de propina por meio de empreiteiras dentro do Ministério dos Transportes. O negócio renderia à sigla até 5% do valor dos contratos firmados pelo ministério sob a gestão da Valec (estatal do setor ferroviário) e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

O esquema seria comandado pelo secretário-geral do PR, Valdemar Costa Neto. Mesmo sem cargo na estrutura federal, ele lideraria reuniões com empreiteiros e consultorias que participavam de licitações do governo no ramo. Pelo menos dois assessores diretos do então ministro, Alfredo Nascimento (PR), foram afastados dos cargos. Também deixaram suas funções o diretor-geral do Dnit, Luiz Antônio Pagot, e o diretor-presidente da Valec, José Francisco das Neves.

O PR emitiu nota negando a participação no suposto esquema e prometendo ingressar com uma medida judicial contra a revista. Nascimento, que também negou as denúncias de conivência com as irregularidades, abriu uma sindicância interna no ministério e pediu que a Controladoria-Geral da República (CGU) fizesse uma auditoria nos contratos em questão. Assim, a CGU iniciou "um trabalho de análise aprofundada e específica em todas as licitações, contratos e execução de obras que deram origem às denúncias".

Apesar do apoio inicial da presidente Dilma Rousseff, que lhe garantiu o cargo desde que ele desse explicações, a pressão sobre Nascimento aumentou após novas denúncias: o Ministério Público investigava o crescimento patrimonial de 86.500% em seis anos do filho do ministro, Gustavo. Diante de mais acusações e da ameaça de instalação de uma CPI, o ministro não resistiu e encaminhou, no dia 6 de julho, seu pedido de demissão à presidente.