Na última sexta-feira (15.07.2011), o juiz federal do trabalho, Flávio Luiz da Costa, acompanhado do procurador do trabalho, Alexandre Magno M. Batista de Alvarega, inspecionou o matadouro da cidade de Quebrangulo, localizado a 119 Km de Maceió. Apesar de haver algumas melhorias nas condições de trabalho local, ainda foram constatadas algumas irregularidades.
Os trabalhadores foram encontrados utilizando botas de borrachas, farda branca padronizada, gorros e bainhas para as facas, porém, todos se encontravam sem luvas, óculos ampla visão e máscaras protetoras.
O abate era realizado colocando-se os bovinos em bretes de contenção no curral de espera. Através dos bretes os animais que seguiam presenciavam todo o processo de dessensibilização (secção da medula com uma lança/instrumento cortante no espaço cervical), o que lhes provoca estresse e sofrimento.
Após, era separado primeiro a cabeça, depois o couro, posteriormente as vísceras, sendo, então a carne dividida em quartos e separadas as peças. Embora já houvesse o procedimento do corte suspenso, os trabalhadores ainda precisavam ficar agachados para retirada do couro do boi. Além disso, em total desrespeito ao meio ambiente, os resíduos orgânicos eram despejados no rio Paraíba, atraindo vários urubus.
Também foi constatada falta de condições sanitárias adequadas para os empregados. Os banheiros não se encontravam separados por sexo, não tinham pias, lixeiros nem papel toalha.Os carregadores também estavam ultrapassando o peso descrito pela CLT, em relação a quanto cada homem pode transportar.
Apesar das irregularidades, o prefeito da cidade, Marcelo Lima, solicitou ao magistrado que permitisse o funcionamento do matadouro. O governante alegou a antiguidade do prédio, datado de 1968, e se comprometeu em sanar parcialmente as deficiências encontradas.
Mesmo considerando que, no entendimento do magistrado e do MPT, o município não atendeu às normas de segurança e saúde do trabalho, o juiz acolheu a solicitação do prefeito, desde que Marcelo Lima compareça à audiência marcada para a próxima terça-feira (26.07.2011), na Vara do Trabalho de Palmeira dos Índios, para assinatura de um Termo de Ajuste de Conduta. “Verificamos a boa vontade do município em resolver essa questão, por isso deferimos o pedido do prefeito. No entanto, nossa preocupação é com o trabalhador. O local precisa apresentar condições dignas para o trabalho, para isso exigimos que a prefeitura assegure, desde já, a utilização de todos os equipamentos de proteção individual e coletiva”, afirmou o juiz.