James Murdoch, filho do magnata da mídia Rupert Murdoch, disse nesta terça-feira que sente muito pelas vítimas das escutas ilegais realizadas pelo tabloide "News of the World".
"Sinto muito pelas vítimas das escutas ilegais e suas famílias. É motivo de grande arrependimento meu e do meu pai e da News Corporation. Isto não corresponde aos valores de nossa empresa. É nossa convicção investigar a fundo", disse James, que presta depoimento ao Parlamento britânico ao lado de seu pai.
Ele negou ainda saber sobre as escutas e as denúncias de que funcionários do conglomerado de seu pai usavam sistematicamente as escutas em telefones de policiais, celebridades e até funcionários da família real para obter informações exclusivas.
Ele afirmou que soube da extensão do escândalo apenas no fim de 2010, quando obteve evidências documentadas da prática.
O escândalo começou em 2006, quando a polícia abriu uma primeira investigação sobre grampos contra funcionários da família real.
O editor de assuntos reais do tabloide Clive Goodman e o detetive particular Glenn Mulcaire foram condenados a quatro e seis meses de prisão respectivamente, mas a polícia determinou que era um caso isolado.
Na época, os executivos do "News of the World" disseram ao comitê que não havia evidência de que ninguém além de Goodman usava grampos ilegais.
James disse que a empresa confiou na investigação da polícia, que fechou o caso, e as repetidas alegações de que não havia nova evidência.
"Foi motivo de profunda frustração para mim e divido a frustração deste Parlamento de que estes fatos não foram conhecidos por mim antes", disse James.
Questionado se a empresa investigou as denúncias, James disse que eles colaboraram com a polícia de todas as formas possíveis.
Murdoch também negou saber da prática das escutas e dos depoimentos de seu ex-braço direito, Rebekah Brooks, ao mesmo comitê em 2006.
Questionado sobre quem mentiu a ele, já que a prática era aparentemente comum em seu tabloide, ele disse: "não sei. É isso que a polícia está investigando".
Murdoch disse ainda que tem mais de 3.000 pessoas trabalhando para ele em todo o mundo e que confia nelas para fazer seu melhor trabalho.
James reiterou o argumento do pai e disse que, em uma empresa global como o império News Corporation, é comum que decisões sejam tomadas por executivos-chefes sem passar por Murdoch.
O legislador Tom Watson questionou ainda Murdoch sobre uma investigação civil envolvendo Neville Thurlbeck, ex-chefe de Redação do "News of the World" e suspeita de chantagem, dentro do escândalo de escutas ilegais.
"Nunca ouvi falar" de Thurlbeck, disse Murdoch, que, aos 80 anos, aparenta certa dificuldade de responder as perguntas.
Já no caso Milly Dowler, menina assassinada que teve suas mensagens de voz apagadas por um detetive, Murdoch disse que soube apenas há duas semanas.
"Eu fiquei absolutamente chocado e envergonhado pelo caso Milly Dowler [...] Oito dias depois eu fui graciosamente recebido pelos Dowlers", disse Murdoch.
Um dos legisladores brincou com Murdoch, dizendo que seus executivos sofrem de "amnésia coletiva". Sem resposta, Murdoch apenas riu.
Diante de novas perguntas sobre as denúncias de escutas ilegais, James saiu em defesa do pai e pediu para responder as questões. "Na qualidade de presidente-executivo do braço europeu da News Corporation, tenho maior proximidade com estas questões", disse.
Os legisladores questionaram ainda porque a empresa não demitiu os envolvidos no escândalo. "Muitos dos indivíduos envolvidos deixaram a empresa faz tempo", defendeu-se James.
NOVA INVESTIGAÇÃO
Murdoch foi questionado ainda se, caso encontrasse evidências de novas práticas ilegais em sua empresa, permitiria nova investigação.
Ele disse apenas que caberia à polícia fazer uma nova investigação.
Questionado sobre as investigações do FBI (Polícia Federal americana) sobre possíveis grampos em vítimas dos atentados de 11 de Setembro, Murdoch disse que não há nenhuma evidência até o momento e que, se houver, agirá da mesma forma que agiu no Reino Unido.
DEPOIMENTO
O magnata Rupert Murdoch e seu filho James são ouvidos nesta terça-feira no Comitê de Cultura, Mídia e Esportes da Câmara dos Comuns a respeito dos escândalos de escutas telefônicas ilegais envolvendo o seu grupo de mídia News Corporation, que controlava o tabloide britânico "News of the World".
Os parlamentares querem saber se Murdoch tinha conhecimento das práticas ilegais envolvendo o jornal. As revelações atingiram não apenas o conglomerado, que tem sua sede nos Estados Unidos, como a polícia e o governo britânico.
Mais tarde, deve depor também a ex-presidente-executiva do braço britânico do grupo, Rebekah Brooks, que deixou o cargo sob pressão por seu suposto envolvimento com o escândalo de grampos telefônicos e compra de informações de policiais. Ela era a editora do "News of the World" à época dos grampos. Brooks foi presa no domingo e solta sob fiança após 12 horas sob custódia.