O comissário de Mercado Interno e Serviços Financeiros, Michel Barnier, reconheceu nesta segunda-feira que a Espanha fez um grande exercício de transparência nos testes de estresse que avaliam a solvência dos bancos, mas não confirmou se as cinco entidades suspensas devem aumentar seu capital.
"Corresponde às autoridades espanholas e aos responsáveis por esses bancos assumir a responsabilidade e decidir se adotam ou não medidas complementares. Cada um deve assumir a sua parte", disse o comissário, em entrevista coletiva.
Barnier fez as afirmações ao ser perguntado a respeito das declarações realizadas pela vice-presidente econômica do governo espanhol, Elena Salgado, e pelo presidente do Banco da Espanha, Miguel Ángel Fernández Ordóñez, nas quais descartaram a ideia de que as entidades suspensas necessitem aumentar seu capital.
BANCOS EM DIFICULDADE
Os bancos da Europa precisariam de 80 bilhões de euros em capital sob um teste de estresse mais duro, mais de 30 vezes o valor apontado pelos testes oficiais divulgados na véspera, disse o analista Kian Abouhossein, do JPMorgan.
Os resultados dos testes de estresse europeus mostraram na última sexta-feira que oito pequenos bancos entre 90 instituições testadas falharam e precisam de uma injeção de capital de 2,5 bilhões de euros até o fim do ano para resistir à crise da dívida que assola o continente.
O teste da Autoridade Bancária Europeia (EBA, na sigla em inglês) avalia a resiliência de uma amostra de bancos em cenários "plausivelmente adversos" --por exemplo, a atual crise europeia.
Analistas consideraram, porém, que o teste não foi suficientemente rígido, daí a alta taxa de aprovação, e que isso pode provocar um efeito adverso nos mercados.
Segundo Abouhossein, 20 grandes bancos falhariam em uma prova mais dura, levando em conta os números que eles forneceram para os testes.
Para Abouhossein, os bancos mostrariam um deficit de capital de 80 bilhões de euros em um teste mais difícil, sendo 25 bilhões de euros dos bancos britânicos, 20 bilhões dos franceses, 14 bilhões dos alemães, 9 bilhões dos italianos, 4 bilhões dos espanhóis, 4 bilhões dos portugueses e 4,5 bilhões dos austríacos.