O líder da oposição trabalhista, Ed Miliband, exigiu o desmantelamento da filial britânica do grupo de comunicação do magnata Rupert Murdoch, diante do escândalo das denúncias de escutas telefônicas ilegais praticadas por um de seus tabloides, o "News of the World".

"Acredito que tal concentração de poder nas mãos de uma pessoa é algo prejudicial e que leva a abusos de poder dentro de sua organização", declarou Miliband ao jornal "Observer".

"Acho que se deve olhar com atenção quando uma pessoa pode ter mais de 20% do mercado de imprensa", prosseguiu. "Este tipo de concentração de poder é verdadeiramente perigoso."

Desde que o escândalo do "News of the World" eclodiu, Ed Miliband liderou a ofensiva contra o magnata australiano, exigindo insistentemente a demissão de Rebekah Brooks, ex-presidente-executiva dos jornais britânicos do grupo Mudorch.

Ed Miliban tambén apresentou uma moção ante o Parlamento para exigir da News Corp., grupo de Rupert Murdoch, a retirada de sua oferta para a compra da maior plataforma de televisão via satélite britânica BSkyB, levando em consideração as práticas em seus periódicos.

A moção foi aprovada pelo governo e Murdoch decidiu desistir da compra, apesar de manter 39% das ações.

ESCÂNDALO

Há anos há denúncias e relatos de que repórteres do tabloide acessaram ilegalmente mensagens de telefones de políticos, celebridades e membros da família real para obter informações exclusivas.

Nas últimas semanas, o escândalo ganhou novas proporções com denúncias de que vítimas de crimes e até familiares de soldados mortos nas guerras do Afeganistão e Iraque foram grampeados. Há ainda relatos de que o tabloide teria pago propina a policiais por informações.

Nesta semana, a comandante da Operação Weeting, que investiga os grampos, Sue Akers admitiu ao Parlamento que apenas 170 pessoas foram contatadas até agora de uma lista de 3.870 nomes, 5.000 telefones fixos e 4.000 celulares.

O "News of The World" pertencia ao grupo News Corporation (News Corp.), um dos maiores conglomerados mundiais de mídia, pertencente a Murdoch.

O tabloide era o jornal mais vendido aos domingos no Reino Unido, com uma circulação média de quase 2,8 milhões de exemplares. Sua última edição, com o título "Obrigado e Adeus", circulou no domingo passado (10), após decisão de Murdoch de fechar a publicação de 168 anos.