Como a imprensa já noticiou de forma ampla, a Casa de Mário Guimarães – ou Câmara Municipal de Maceió – resolveu ser vanguardista em uma alteração promovida na Lei Orgânica, que já está valendo; e pretende beneficiar nomes do interior do Estado de Alagoas, como o do peemedebista Cícero Cavalcante.
Pela mudança, não importa a residência do candidato (domicílio eleitoral), ele poderá – facilmente – concorrer a uma das vagas da Câmara Municipal de Maceió. Se os vereadores resolverem passar para 31, aí é que aumenta o “vestibular” de fato! Porém, ao contrário do vestibular sem aspas, neste não tem validade o conhecimento, mas a busca do voto, o que muitas vezes é feito de forma regada ao poder econômico.
Com a nova alteração, a perspectiva é que este poder econômico entre em cena mesmo; pois muitos virão disputar eleições onde não possuem reduto. Por que um possível interesse pela casa legislativa da capital alagoana? Ela é um excelente trampolim para a Câmara Federal, Assembleia Legislativa e o Executivo, como bem demonstra Carlos Ronalsa (PP), que está querendo ser prefeito de Piaçabuçu e também se beneficia com a alteração da Lei Orgânica.
Neste Conversa de Tuiteiro, o Blog do Vilar perguntou o que os internautas acham da novidade dos edis maceioenses. O @_helderlopes é claro em sua posição: “inconstitucional”. Se há – por um lado - a questão legal, que inclusive deve ser analisada pelo Ministério Público Eleitoral, com base em um pedido do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral; há também a questão moral, já que em tese o vereador tem que estar próximo da comunidade, pertencer a ela para reconhecer seus problemas e dificuldades, sendo voz representativa. Mas, isto em tese – repetimos, já que até a questão ética e moral muitas vezes são apenas uma tese nos parlamentos por aí.
O @Sandro_Melo_36 destaca: “sou contrário a uma pessoa que não resida aqui em Maceió, possa ser vereador”. Se você pensa que ele se limita; ao contrário: usa o restante de seus 140 caracteres para uma afirmação que reflete o pensamento de uma boa parte da população: “os que moram aqui não resolvem”. Eis a visão que nivela todo político por baixo. Culpa de quem assim enxerga? Não. É culpa de quem faz de tudo para ser visto desta forma: os próprios políticos com suas decisões inimagináveis.
É inclusive isto que se faz presente na indagação de @ronaldfar: “não sei o que é pior! A cara de pau do candidato em pleitear uma vaga na Câmara Municipal onde não reside, ou da população votar nele”. Levando em consideração fatores como o poderio econômico político, o assistencialismo, o clientelismo e a própria compra de votos em si, já se vê que o que não falta é cara de pau em dia de eleição. Pode faltar é “óleo de Peroba”, como se diz no dito popular.
O @LeandroBarrosAL manda também sua opinião: “não deveria poder, mas em Alagoas os políticos podem tudo e o povo sempre apoia e vota nos bandidos de sempre”. Reflete uma descrença que já cometei em outros textos, incomoda-me – do ponto de vista do cidadão – mas reconheço, como já reconheci neste próprio Conversa de Tuiteiro, que é o pensamento de boa parte da população em função das esdrúxulas e estapafúrdias decisões do cotidiano do Legislativo, que deixa um vácuo, quando não cumpre sua função.
Eis, que @Iran69silva coloca: “se os residentes não cumprem suas funções políticas, imagine os que caem de paraquedas em domicílio eleitoral”. Ele é complementado de forma irônica por @LuaBeserra: “em breve teremos Arnold Schwazenegger como governador ou ministro, talvez prefeito, ou vereador...”. Ela deixa reticências, mas eu ouso completar: “vereador de Maceió”. No sentido denotativo, a emenda não chega a tanto, mas do ponto de vista conotativo, a ironia é cabível como crítica.
@LuaBeserra ainda ressalta: “pouca vergonha, descaso com a população, canalhice dos demais políticos, rotina no Brasil. E a Justiça, cadê?”. A pergunta dela também foi feita pelo MCCE ao Ministério Público. Aguardemos resposta! A leitora @CanAlmeida frisa que o “candidato que não mora em Maceió não sabe os problemas dos munícipes, não tem contato com estes e dificulta ser cobrado”. É o ponto central que levo em consideração nas críticas que já fiz a tal emenda aqui neste blog.
E é por esta razão que acho salutar a opinião de @gimigliati: “não há lógica! Só quem convive na realidade local é que melhor tem a oferecer e produzir resultado mais eficaz com suas ideias”. Valeu pelo papo, meus caros tuiteiros! O texto é publicado quase sempre no sábado, mas em virtude de algumas matérias, hoje saiu no domingo. Mas, nossas conversas seguem ocorrendo toda sexta-feira. Até a próxima.
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