Reunidos na Turquia, os 15 chanceleres do Grupo de Contato sobre a Líbia defenderam nesta sexta-feira a renúncia do ditador Muammar Gaddafi e pediram que um governo provisório seja montado pelo Conselho Nacional de Transição (CNT), o órgão político rebelde com sede em Benghazi, no leste do país.
Entre os ministros de Relações Exteriores presentes estão a americana Hillary Clinton, o francês Alain Juppé, o italiano Franco Frattini e o britânico William Hague. China e Rússia também foram convidadas como membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Moscou, que se opõe à campanha militar na Líbia, rejeitou o convite.
Com a posição do Grupo de Contato, mais de 30 países e todos os membros da Liga Árabe agora reconhecem o CNT como o representante da Líbia, aumentando o isolamento diplomático do regime liderado por Gaddafi há décadas.
"É um forte sinal de apoio ao CNT e reflete o crescente consenso de que trata-se de um [órgão político] cada vez mais competente, de que está atingindo o povo líbio em todo o país e que reforça o argumento de que Gaddafi precisa renunciar", disse um porta-voz da Chancelaria britânica ao jornal "The Guardian".
Mais cedo, Frattini já havia adiantado que a declaração final do grupo reconheceria os rebeldes como os únicos representantes políticos legítimos da Líbia e que um plano de transição seria ofertado a Gaddafi para que deixe o poder e abra caminho para a formação de um governo provisório no país.
O chanceler italiano disse que o enviado especial da ONU (Organização das Nações Unidas) à Líbia, Abdul Elah Al Khatib, será autorizado a apresentar a Gaddafi uma proposta com termos para a sua renúncia, num pacote político que incluiria um cessar-fogo na atual guerra.
"Hoje, vamos ver o documento final em que o grupo de contato reconhece o CNT como o interlocutor representando o povo líbio. Então não há outra opção que não seja a saída de Gaddafi", disse Frattini.
REUNIÃO
O Grupo de Contato realizou nesta sexta-feira sua quarta reunião, na Turquia, para discutir sobre uma solução política para o conflito líbio e coordenar a ajuda internacional à rebelião.
A reunião chega no momento em que os rebeldes líbios continuam a ofensiva no oeste do país e depois que o regime de Trípoli, segundo os franceses, deu os primeiros sinais de que se encaminha para uma renúncia de Gaddafi.
A França, um dos participantes da intervenção militar internacional na Líbia, garantiu na terça-feira que uma saída política está tomando forma, graças a alguns contatos diplomáticos cada vez mais intensos.
"Recebemos emissários que nos dizem que Gaddafi está disposto sair do poder (...) Efetivamente há contatos, mas atualmente ainda não é uma verdadeira negociação", disse Juppé.
O Grupo de Contato sobre a Líbia, criado numa reunião em Londres no dia 29 de março, inclui todos os países que participam da campanha da Otan contra o regime de Gaddafi.