O homem considerado pela polícia mineira o braço-direito do traficante Fernandinho Beira-Mar, Roni Peixoto, 40 anos, é suspeito de utilizar uma carta de encaminhamento de emprego falsa para deixar a cadeia a fim de trabalhar. Ele cumpria pena de 31 anos e meio na penitenciária José Maria Alkimin, em Ribeirão das Neves (região metropolitana de Belo Horizonte), e na quinta-feira saiu para trabalhar após ser beneficiado pelo regime semiaberto e não retornou. O Tribunal de Justiça (TJ) de Minas Gerais e o Ministério Público investigam quem seria o responsável pela apresentação da documentação.
Há suspeita de que Peixoto tenha fugido para o Paraguai. A Interpol foi comunicada da fuga e auxilia nas buscas. De acordo com a carta de emprego apresentada por uma advogada de defesa à Vara de Execuções Criminais de Belo Horizonte, o preso receberia R$ 650 como auxiliar serviços gerais, com jornada de segunda à sexta-feira das 8h às 18h, com duas horas de almoço.
O documento teria sido assinado pelo dono de uma oficina mecânica que funciona no bairro Carlos Prates, região noroeste da capital, mas o proprietário da empresa afirmou que não conhece Peixoto e muito menos quem teria assinado a carta.
Para ser liberado, o advogado do preso deveria comprovar que o cliente havia sido contratado com a carteira assinada em regime de CLT. O documento também foi apresentado à Justiça, mas na página do empregador havia dados de uma empresa que funciona em um shopping popular e que não teria qualquer relação com a oficina que aparece no documento de encaminhamento.
O TJ disse que o juiz da Vara de Execuções Criminais, Wagner de Oliveira Cavalieri, autorizou que o traficante pudesse trabalhar com base na carta assinada por um homem identificado como Fabiano de Oliveira, que seria da oficina. Ainda segundo o TJ, o magistrado não tem como verificar a veracidade de todos os documentos e que antes de qualquer decisão eles são verificados pelo Ministério Público.
O TJ afirmou ainda que a responsabilidade da veracidade dos documentos é de responsabilidade dos advogados. Já o MP informou que é inviável a verificação de todos os papeis apresentados em função do grande volume de processos. O MP afirmou ainda que cabe à polícia apurar se realmente a carta é falsa e que o detento receberá as penalidades cabíveis caso isso seja comprovado. No escritório que representa Roni Peixoto, ninguém foi encontrado para falar sobre o assunto.
A fuga
Peixoto é considerado foragido desde sexta-feira. Segundo a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), ele deixou a penitenciária às 7h de quinta-feira para trabalhar, beneficiado com o regime semiaberto, mas não retornou até o horário limite, 18h.
De acordo com o TJ, Peixoto é condenado por tráfico de drogas e já cumpriu 15 anos e dois meses. Ainda segundo o TJ, em novembro do ano passado, o traficante foi acusado em outro processo por tráfico de drogas pela 3ª Vara de Tóxicos de Belo Horizonte. Por isso, a Justiça determinou sua prisão preventiva, o que fez com que ele passasse do semiaberto ao regime fechado. Neste período, estava na penitenciária de segurança máxima Nelson Hungria, em Contagem.
Na última terça-feira, Peixoto foi absolvido da última acusação e ganhou pela segunda vez o direito de passar para o semiaberto. Por isso, foi transferido para o presídio José Maria Alkimin. Na quarta-feira, segundo a Seds, ele chegou a retornar para o presídio, o que não se repetiu no dia seguinte.
Em 2007, o homem foi preso 15 dias depois de também conseguir a liberdade temporária. Os policiais da Divisão de Tóxicos e Entorpecentes de Belo Horizonte apreenderam com ele 460 kg de maconha, dois carros, uma moto, um revólver, uma réplica de pistola semiautomática, uma balança digital e dois rádios comunicadores. Na época, o traficante também havia sido liberado para trabalhar das 6h às 19h.