Jogadores de futebol brasileiros, em especial, são conhecidos mundialmente por valorizar faltas e simular contusões. Os exemplos são vários: Rivaldo na Copa de 2002, Daniel Alves em entrada de Pepe neste ano e, recentemente, a zagueira brasileira Erika, em jogo contra os Estados Unidos no último domingo. Mas será esta prática também comum ao futebol feminino?

É o que tenta apurar uma pesquisa realizada pela Wake Forest University, nos Estados Unidos, e publicada pelo The New York Times. O estudo aponta que há uma média de 11,26% de contusões aparentes em jogos do futebo masculino, comparado com 5,74% em partidas femininas. Já as lesões definitivas para as mulheres são de 13,7%, comparado com apenas 7,2% dos homens.

"Podemos dizer que os homens se contorcem no chão, como se estivessem contundidos, quase duas vezes mais do que as mulheres", afirma Daryl Rosenbaum, principal autor da investigação sobre simulações no futebol.

"Quando os jogadores são aparentemente machucados, o percentual em que foram autênticos foi duas vezes maior com as mulheres. Você poderia confiar mais que elas ficaram realmente lesionadas", ressalta o acadêmico.

Na partida contra os Estados Unidos no último domingo, válido pelas quartas de final da Copa do Mundo de futebol feminino, a zagueira brasileira Erika simulou uma lesão para ganhar tempo na prorrogação, quando vencia por 2 a 1. Após sair de maca, a jogadora rapidamente levantou-se e retornou ao jogo, o que gerou críticas e polêmica. Ela foi punida pelo árbitro com o cartão amarelo.

"É frustrante jogar contra isto (simulações como a de Erika)", lamentou Christie Rampone, ex-capitã da seleção americana de futebol. "Os homens têm tendência em simular a falta muito melhor do que as mulheres. Eles sabem quando sofrem pressão, quando ir ao chão, mesmo quando não atingidos com força. Alguns são brilhantes nisso. As mulheres jogam muito honestamente às vezes".

A pesquisa ainda indica que jogadoras de futebol sul-americanas tendem a simular faltas mais frequentemente que outras. "Isto não é surpreendente, uma vez que os sul-americanos, os brasileiros em particular, são inteligentes na arte da simulação. Talvez devido à cultura de futebol na qual cresceram", conclui Rosenbaum