A junta militar que dirige o Egito assegurou nesta terça-feira que adotará as medidas legítimas necessárias para garantir a segurança e sustentou que os protestos violentos prejudicam os interesses do país.

"O desvio de algumas manifestações do caminho pacífico atinge os interesses dos cidadãos e impede o trabalho das instituições", afirmou o porta-voz do Conselho Supremo das Forças Armadas, general Mohsen al Fangary, em um breve discurso transmitido pela televisão estatal.

Como em algumas ocasiões anteriores, Al Fangary assinalou que a junta militar adotará as medidas necessárias perante as ameaças que a segurança nacional e os cidadãos enfrentam, sempre dentro do marco da legitimidade constitucional e pediu aos "cidadãos honoráveis que enfrentem os rumores enganosos".

O porta-voz insistiu que a junta militar realizará seu plano para dirigir o Egito durante a etapa transitória que consiste na realização, primeiro, de eleições parlamentares, a elaboração de uma nova Constituição depois e mais tarde a convocação de eleições presidenciais.

Sobre a futura Carta Magna, o Conselho anunciou que estabelecerá bases para escolher os membros do comitê que se encarregará de elaborar a Constituição.

Com esta decisão, os militares respondem ao temor de alguns ativistas que os grupos islâmicos apostem neste comitê em caso que obtenham uma grande representação no futuro Parlamento.

O Conselho Supremo das Forças Armadas assegurou também que continuará seu apoio ao primeiro-ministro egípcio, Essam Sharaf, para que possa desempenhar o papel que lhe outorgam a Constituição provisória e as leis.

Os militares contestam assim os pedidos dos revolucionários que solicitam a renúncia de Sharaf em protesto pela demora nos julgamentos a dirigentes do antigo regime de Hosni Mubarak e a ox-chefe da Polícia acusados de planejar o massacre de manifestantes durante a revolução de 25 de janeiro.