O crescimento das classes sociais de maior poder aquisitivo nos últimos anos, acompanhando o aumento da renda, começa a mudar o foco do setor de luxo no país.
Embora a representação mais conhecida do segmento ainda sejam produtos, como bolsas de grife e carros importados, empresas e analistas dizem que o foco está, agora, nos serviços.
"A era dos produtos ficou para trás. A gente percebe essa mudança de foco principalmente nos últimos três anos", diz Carlos Ferreirinha, presidente da MCF Consultoria, especializada no setor.
"O segmento de luxo é um excelente negócio, pois as classes AB foram as que tiveram as maiores taxas de crescimento nos últimos anos, e isso vai continuar", diz Marcelo Neri, do Centro de Políticas Sociais da FGV.
Segundo pesquisa da FGV, a classe A cresceu 41% entre 2003 e 2009, enquanto a B aumentou 38%. "Tudo que estiver pautado em elevar esse serviço ao nível de 'quase feito só para mim' ganhará mais espaço. É o extremo da customização", diz Ferreirinha.
SONHOS
Foi aproveitando uma oportunidade de entrar no segmento que os amigos Pedro Opice e Guilherme Gomes, ambos de 24 anos, criaram a Jazz Side, especializada em realizar os "sonhos" de clientes endinheirados.
Com pouco mais de um ano, a empresa tornou realidade os pedidos de cerca de 40 clientes. Entre eles, uma partida de tênis com Pete Sampras e um ensaio com o fotógrafo J.R. Duran.
"As pessoas estão se diferenciando pelo que vivem, e não pelo que têm", diz Opice.