O comandante da Defesa Civil, Jair Paca, afirmou que serão interditadas as 50 casas afetadas pelo deslizamento que matou uma jovem de 18 anos e um menino de 3, na encosta do morro dos Macacos, na região de Cidade Ademar, zona sul de São Paulo, nesta quinta-feira. No entanto, Paca diz que a maioria pode ser reocupada ainda hoje, com exceção de dez residências, que permanecerão desocupadas até o fim das obras de contenção.

O deslizamento foi provocado pela queda de uma retroescavadeira que fazia obras de contenção e despencou do Morro dos Macacos. De acordo com a prefeitura, a área é de "alto risco" e era prioridade para ação de remoção de moradores. A Secretaria de Habitação afirma ter retirado, em um ano e meio, 300 famílias do local.

Morreram com o deslizamento Yohan Hanna de Jesus, 3 anos, e a jovem identificada apenas como Tamires, que estava grávida de 4 meses. No total, quatro casas foram destruídas e, pelo menos, duas crianças foram resgatadas com escoriações leves. De acordo com a Secretaria Municipal de Habitação, 11 pessoas foram atingidas pelo acidente.

Desesperada e aos prantos, a mãe de Yohan detalhou os minutos que antecederam o soterramento do menino. "Todos conseguiram correr e fugir da casa, menos ele. Eu estava em um quarto que foi a única peça que não desabou", disse Suzelia Jorge Hanna, 29 anos.

A mulher pertence a uma das 78 famílias que, de acordo com a prefeitura de São Paulo, não deixaram a região, apesar dos alertas de que a área estava em risco. "Meus dois filhos conseguiram vir para o quarto que sobrou. Um estava na rua e outro, de 15 anos, machucou uma das pernas quando caiu uma laje. Só o pequeno de 3 anos não escapou", disse. O filho de Suzelia que teve ferimentos passava bem e foi liberado pela instituição de saúde.

Jose Roberto Sanchez, tio de Tamires, afirmou que o pai da vítima estava construindo uma casa na avenida Alda, próximo o local do acidente, " porque não queria a filha morando ali (no morro)". A jovem morava com a sogra havia seis meses e seu pai estaria preocupado com sua segurança.

Dezenas de bombeiros foram mobilizados para a região. A operação contou com o apoio de helicópteros e aproximadamente 60 homens, além de agentes da Subprefeitura, da Secretaria de Assistência Social, equipes do SAMU e técnicos da Secretaria Municipal de Habitação (Sehab), responsável pela obra de urbanização da Comunidade. As equipes de resgate também utilizaram cães farejadores.