A saída de Marina Silva do PV enfraquece mais o partido do que a carreira política da ex-ministra, segundo analistas políticos consultados pelo Terra. É consenso, no entanto, que a liderança ligada aos movimentos ambientais deve procurar um partido político caso queira ter força eleitoral em 2012 ou 2014.
Em evento na tarde desta quinta-feira em São Paulo, Marina Silva, candidata derrotada à eleição presidencial de 2010, e Alfredo Sirkis, um dos fundadores do PV, anunciaram que deixarão a sigla. O ex-deputado Fernando Gabeira também apoiou o movimento de Marina em uma breve declaração via Skype.
"O PV perde porque o partido perde uma expressão importante em cenário nacional. A Marina Silva, além de identificada com o setor do meio ambiente, disputou a eleição presidencial conseguindo 20 milhões. (...) Eles ficam sem uma liderança expressiva em um ano pré-eleição", disse Cristiano Noronha, sócio da empresa de consultoria política Arko Advice.
Segundo Noronha, Marina precisa procurar um outro partido político se tiver pretensões eleitorais em 2012 ou 2014. "Sem dúvida nenhuma ela vai ter de procurar outra legenda. Marina, se tentasse criar um partido político, não conseguiria fazer isso até 1º de outubro. E sem ter disputado uma eleição municipal, acho que esse partido teria muitas dificuldades em 2014", afirmou.
Para Paulo Kramer, professor de Ciência Política da UnB e consultor de empresas, a saída de lideranças do PV reflete a "convivência desconfortável" entre os movimentos sociais e a burocracia dos partidos políticos.
"Eu acho que reflete a convivência desconfortável entre os movimentos sociais e os movimentos de opinião pública e burocracia dos partidos políticos. Os movimentos sociais, como os movimentos ecológicos, tendem a relativizar essas categorias. A cada geração, eles vão recebendo o impacto da adesão dos mais jovens e refletem na outra estrutura, como a estrutura das redes sociais, onde é difícil estabelecer uma hierarquia", disse.
Para Kramer, os dissidentes do PV devem agora exercitar a influência sobre a opinião pública. "Se decidirem a influenciar o sistema político de fora para dentro, como formadores de opinião, eles terão uma influência até interpartidária ou suprapartidária. Se eles, em vez de influenciar as decisões do poder, eles quiserem ter poder político, eles terão de voltar para algum partido político", afirmou.