Os combustíveis foram os principais responsáveis pela forte desaceleração do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de maio para junho, mas tanto a gasolina como o etanol ainda acumulam aumentos no ano de 2011. O indicador foi divulgado nesta quinta-feira (7) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Sozinhos, os dois produtos foram responsáveis por um impacto negativo de 0,20 ponto percentual no IPCA. O índice desacelerou 0,31 ponto percentual de maio para junho, passando de 0,47% para 0,15%.

A gasolina caiu 3,94% em junho. O álcool registrou queda de 8,84%. De janeiro a junho, porém, os produtos acumulam alta de 6,15% e 5,95%, respectivamente. Ou seja, estão ainda mais caros do que no fim do ano passado.

Segundo Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE, diante da forte alta de preços dos combustíveis até abril, houve "redução da demanda" por esses produtos, o que obrigou os revendedores a baixarem seus preços.

Além disso, diz, a oferta de álcool melhorou com a entrada da safra e cana-de-açúcar, o que fez os preços caírem --também da gasolina, que recebe a adição do biocombustível.

Por conta da queda das commodities no mercado internacional e da safra recorde no Brasil, os alimentos também recuaram em junho --0,26%, após alta de 0,63% em maio. O grupo alimentação contribuiu negativamente com 0,06 ponto percentual para a desaceleração do IPCA.

"Estamos em período de safra. A previsão é que ela seja 8% maior do que o do ano anterior. Alem disso, os preços das commodities estão queda", disse.

Entre os alimentos, os destaques de queda foram carnes (-1,24%), óleo de soja (-1,09%), feijão carioca (-0,74%), arroz (-1,80%), além de produtos in natura como batata (-11,38%) e cenoura (-16,31%).

No ano, porém, os alimentos ainda acumulam alta de 3,11%.

"Esses dois grupos [alimentos e transporte] explicam praticamente sozinhos a redução do IPCA de maio para junho, que despencou 0,32 ponto percentual. Isso não é pouca coisa", disse.