O ministro indiano da Saúde afirmou nesta terça-feira (5) que foi mal interpretado em seus controvertidos comentários sobre o fato de considerar a homossexualidade uma doença e que a Aids teria sido levada para a Índia por estrangeiros.

Alvo de uma série de críticas, o ministro Ghulam Nabi Azad falou em conferência de imprensa que foi "totalmente mal interpretado" em suas declarações.

"Eu sei, como ministro da Saúde, que homens fazendo sexo com homens não é uma doença", esclareceu.

Ghulam Nabi Azad gerou uma polêmica no país após ter dito, em uma conferência sobre a Aids, que a homossexualidade é uma "doença" que atinge cada vez mais pessoas. Ativistas disseram que as declarações são um atraso e prejudicam o debate no país.

"A doença dos homens que praticam sexo com outros homens é antinatural e não é boa para a Índia. Não somos capazes de identificar onde está ocorrendo", disse Azad na segunda-feira (4).

"É fácil encontrar as trabalhadoras do sexo e conscientizá-las sobre o sexo seguro, mas é um desafio encontrar os homossexuais", acrescentou Azad, em declarações publicadas nesta terça pela agência indiana Ians.

Até 2009, a homossexualidade podia ser punida com até dez anos de prisão na Índia. Apesar de não existir mais esta lei, grande parte da sociedade continua alimentando preconceitos e discriminando este coletivo.

"É surpreendente que o ministro da Saúde deste país faça um comentário assim", declarou à Ians o ativista Mohnish Malhotra, um dos organizadores do "Dia do Orgulho Gay" na Índia.

Há na Índia cerca de 2,5 milhões de pessoas contaminadas pela Aids.

A conferência na qual Azad deu as polêmicas declarações teve a presença do primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, e da líder do governamental Partido do Congresso, Sonia Gandhi.