Candidato derrotado ao governo do Amazonas, o atual ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento (PR), declarou à Justiça Eleitoral ter arrecadado na corrida eleitoral do ano passado R$ 10,88 milhões. Deste montante, R$ 8,86 milhões (ou 81,42%) podem ser considerados como doações ocultas.

A prática, que não é ilegal para a Justiça Eleitoral, dificulta, no entanto, a transparência e o acompanhamento, pelo eleitor, dos verdadeiros doadores da campanha de um político. As doações ocultas permitem que pessoas físicas e jurídicas façam repasses a partidos políticos para que essas agremiações, por sua vez, encaminhem para os candidatos. Como a legislação não exige que todo o caminho das doações sejam monitoradas e declaradas pelo partido, o eleitor fica impossibilitado de saber se determinada empreiteira, por exemplo, fez ou não uma doação a um político específico.

Conforme o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na prestação de contas do Partido da República (PR) no ano passado, dos R$ 27,54 milhões declarados pela legenda, houve doações de mais de 30 empreiteiras.

No sábado, após denúncias de que obras do governo federal teriam sido alvo de superfaturamento, o ministro dos Transportes informou o afastamento de quatro integrantes da cúpula. Reportagem da revista Veja do fim de semana afirmou que representantes do PR, ao qual pertence o ministro e a maior parte da cúpula do ministério, teriam montado um esquema de superfaturamento de obras e recebimento de propina por meio de empreiteiras.

Em nota divulgada no sábado, Nascimento negou que fosse "conivente" com a suposta irregularidade e determinou a abertura de uma sindicância interna para que seja apurada a eventual participação dos funcionários. Na manhã desta segunda-feira, a presidente Dilma Rousseff conversou com Alfredo Nascimento, reiterou apoio a seu subordinado e pediu que ele conduzisse as investigações do suposto esquema.

Doações proibidas
Atualmente a legislação estabelece 13 fontes de doação proibidas a partidos políticos, comitês financeiros e candidatos, entre os quais organizações não-governamentais (ONG) com contratos no governo, sindicatos, concessionárias e cooperativas. A assessoria do ministro Alfredo Nascimento foi procurada para comentar as doações recebidas pelo então candidato ao governo do Amazonas, mas ainda não retornou à reportagem.