O presidente do DEM em Goiás, deputado federal Ronaldo Caiado, defendeu nesta segunda-feira, ao participar de evento da Federação da Agricultura de Goiás, em Goiânia, que o Congresso abra uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as denúncias de propina envolvendo membros do PR no Ministério dos Transportes, veiculadas na revista Veja. "Essa CPI é obrigatória", afirmou.

Caiado disse que a nova denúncia coroa uma sequência de escândalos de aliados dos governos do PT. "É Valdomiro, é vampiro, é dinheiro na cueca, é sanguessuga, é mensaleiro, é a Copa do Mundo, Palocci e essa agora, do Ministério dos Transportes. Uma sucessão de desvio de dinheiro público", disse, ao citar os casos que repercutiram na mídia.

Segundo Caiado, o desafio dos líderes da oposição, principalmente do DEM e do PSDB, é conseguir as assinaturas para abrir a CPI. "Vamos tentar já nestes poucos dias que nos restam antes do recesso buscá-las', afirmou. O recesso começa no dia 16 de julho.

Caiado, porém, afirmou que a maioria que o governo tem na Câmara Federal, por exemplo - 420 deputados, contra pouco mais de 90 da oposição - pode limitar o projeto de instalação da CPI do Ministério dos Transportes na Casa. "Precisamos ter apoio de outros parlamentares para avançar na avaliação, em auditorias, ou na quebra de sigilo destas pessoas que estão envolvidas nos escândalos", disse.

O líder ruralista ainda afirmou que, caso a CPI não possa ser instalada na Câmara, a oposição vai tentar criá-la no Senado. "Vamos ver em qual das Casas vamos conseguir o número mínimo de assinaturas", disse.

Segundo reportagem publicada pela revista Veja, representantes do PR - partido de Nascimento -, funcionários do ministério e de órgãos vinculados à pasta estariam envolvidos em um esquema de superfaturamento de obras e recebimento de propinas.

No fim de semana, quatro pessoas envolvidas nas denúncias foram afastadas de suas funções: o chefe de gabinete Mauro Barbosa da Silva, o assessor Luís Tito Bonvini, o diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luís Antônio Pagot, e o diretor-presidente da estatal Valec, José Francisco das Neves.

O ministro, Alfredo Nascimento, é o responsável pela condução do processo de apuração das denúncias contra o ministério. Em nota, ele negou que fosse "conivente" com a suposta irregularidade e anunciou uma sindicância interna para que seja apurada a eventual participação dos funcionários.