Presente em um evento sobre turismo e negócios em São Paulo, o ministro do Esporte, Orlando Silva Jr., comentou a votação dos incentivos fiscais de R$ 420 milhões ao estádio do Corinthians para a Copa-14. Ele acredita que uma eventual ação na Justiça contra o benefício terá um fundo político.
"Não há plano B nem C. O estádio em Itaquera é o único plano para a abertura [do Mundial no Brasil]. Estou confiante de que a Câmara [Municipal] vai aprovar os incentivos", disse o ministro na Fecomercio, antes de completar.
"Não acredito que haverá contenda. Ir ao Judiciário é um direito de todo cidadão, mas vejo uma questão mais política do que interesse de inconstitucionalidade", completou.
Após a aprovação dos incentivos em primeira votação, o vereador Aurélio Miguel (PR) prometeu entrar com uma ação popular na qual questionará a constitucionalidade do documento.
"Se eu não fizer isso, o Ministério Público fará. Não é nada contra ninguém, mas o projeto é inconstitucional", declarou Aurélio, alvo de ataques por ser conselheiro do São Paulo e criticar o projeto, que, segundo ele, fere o princípio da impessoalidade.
"É um favorecimento a uma empresa milionária [Odebrecht] e, de quebra, a uma agremiação esportiva [Corinthians]. Trata-se de um texto dirigido, elaborado para beneficiar entidade e empresa conhecidas", finalizou o ex-judoca, medalha de ouro nos Jogos de 1988 e bronze em 1996.
SIGILO
Orlando Silva também votou a defender o RDC (Regime Diferenciado de Contratações) para a Copa-2014 e a Olimpíada-2016, acusado de esconder os gastos envolvidos.
"Infelizmente, não é todo mundo que lê o texto da lei. Há um compromisso de transparência e nossa intenção é estimular a competitividade e a redução dos preços", afirmou.