Nos anos 70, Susan Sontag já reafirmara o poderio das imagens fotográficas, capazes de nos manter (aprisionados) na Caverna de Platão.

Passados mais de 30 anos destes escritos, e mais, com a digitalização da fotografia, o cenário se amplifica: estamos presos e reféns de um universo de imagens.

Osama estaria morto, mas a inexistência da fotografia colocaria em dúvida seu extermínio.

As fotografias de homens erotizados e musculosos, travestidos de santos da Igreja Católica na Parada Gay de São Paulo, motivaram mais palavras de indignação do alto clero que as manifestações de erotismo em carne e osso em plena avenida.

Houve crime, dolo ou culpa, intenção? Onde está a foto. Há mais de século um fotograma ou um conjunto de pixels é capaz de imputar responsabilidade.

E que dizer do fetichismo narcisista (e cafona) das incontáveis fotografias disponibilizadas nas redes sociais? Fantasmagorias do século XXI.

No caso da escola carioca, devastada pela ação de um homicida em série em busca de assassinar em especial meninas, a potência da imagem foi ofertada como espetáculo de governo: entre mortos e famílias em luto, prefeito e governador, desnorteados, “negociavam” acesso da reportagem fotográfica à cobertura do evento.

Por estas bandas não é diferente. Miremos os exemplos desnecessários de algumas ações auto intituladas jornalísticas.

Roland Barthes brincava dizendo que o mais importante órgão do fotógrafo é o dedo. Mais de 3 décadas depois desta alegoria, é possível ousar e dizer que sua assertiva e provocação eram coerentes.