O forró, ritmo nordestino tradicional das festas juninas, ganhou uma conotação pejorativa em músicas cantadas por diversos artistas. Letras como beber, cair e levantar ou aquelas que estimulam traições, a exemplo de “eu vou morar na casa das primas” e que denigrem as mulheres, caíram no gosto do povo em um estilo que ficou conhecido como forró eletrônico.

Nesta época, muitos prefeitos promovem festas e convidam bandas de expressão nacional, que têm músicas de duplo sentido, mas esquecem dos tradicionais forrozeiros. No entanto, há quem acredite que a cultura popular nordestina não perdeu suas origens e continua representada no forró cantado por Alcymar Monteiro, Jorge de Altinho e Dominguinhos.

“Existem dois tipos de música: A boa e a ruim. Embora a arte seja subjetiva, assim como a questão de gosto, não adianta questionar isso. Certos tipos de forró não entrariam como produção musical e não fazem parte de um elemento cultural. Trata-se de uma produção qualquer, descartável”, afirmou o jornalista, cantor e compositor alagoano, Máclem que trilha uma carreia internacional.

Ainda segundo ele, muitas letras de músicas têm um lado tendencioso e apelo comercial. “Isso independe de percepção. Muita gente acha que o brega só é ouvido por quem é de classe baixa, mas vejo pessoas que têm acesso á cultura e passaram por faculdades escutar coisa pior. Isso pode ser notado até nos toques de celular”, destacou Máclem, lembrando que artistas que têm esse estilo saem rápido do cenário musical.

“No Ceará, onde a maioria dessas bandas de forró começou, alguns cantores eram proibidos de ter a foto no CD, por serem considerados descartáveis, imagine o produto final. Há uma diferença entre a música cantada pelo Alcimar Monteiro, Eliezer Setton e Dominguinhos, por exemplo. Eles criam a partir da cultura que têm e até vão contra o mercado”, ressaltou o músico.