WASHINGTON, EUA, 18 Jun 2011 (AFP) -O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ignorou o aviso de dois advogados de seu governo, decidindo prosseguir as operações militares na Líbia, sem a aprovação do Congresso, revela a edição deste sábado do New York Times.

A Casa Branca ignorou os conselhos de Jeh Johnson, do Pentágono, e de Caroline Krass, chefe de advocacia do ministério da Justiça, diz o jornal, citando sob anonimato dirigentes que tiveram acesso ao dossiê.

Os dois profissionais estimaram, segundo as informações, que a intervenção americana na Líbia corresponderia a um compromisso "de hostilidade", tal como o definido pela lei de 1973 sobre "os poderes de guerra", que limita as prerrogativas do presidente, em caso de operações militares no exterior.

A lei estipula que, sem autorização do Congresso, deve ser iniciada uma retirada após 60 dias, finalizando após 90 dias. Este último limite será atingido na noite de domingo.

No entanto, outros advogados, entre eles os da Casa Branca, Robert Bauer, e do Departamento de Estado, Harold Koh, consideraram que as operações militares na Líbia não podem ser assimiladas a "hostilidades" porque elas têm, apenas, um papel de apoio, diz o New York Times.

Um porta-voz da Casa Branca, Eric Schultz, informou ao jornal que a presidência americana não faria nenhum comentário sobre a questão.

"Não é surpresa que haja divergência, mesmo na própria administração", afirmou.

Três meses após o desencadeamento das operações militares na Líbia contra o regime do coronel Muamar Kadhafi, Obama aflige-se em acalmar a cólera no Congresso, onde numerosos parlamentares não digerem o fato de não terem sido consultados pelo presidente, para autorizar a intervenção.

O representante democrata Dennis Kucinich, opositor à guerra na Líbia, reagiu sábado num comunicado afirmando: "é um sério contratempo saber que a Casa Branca tenha prosseguiu deliberadamente com a guerra na Líbia sem a autorização do Congresso, mesmo com os pareceres jurídicos do Pentágono e do ministério da Justiça".

"Uma guerra é sempre uma guerra, mesmo quando conduzida por robôs, nos ares (os drones, aviões sem piloto)", considerou, acrescentando: "é preciso remediar imediatamente este fiasco. O Congresso deve agir rapidamente para retirar a verba necessária para as operações" na Líbia.