Para colaboradores do WikiLeaks, seu fundador, Julian Assange, está sendo tratado de maneira invasiva. Segundo reportagem do jornal El País, publicada nesta quinta-feira, o australiano, em prisão domiciliar há seis meses, precisa comprovar dia após dia que não está disposto a fugir. "Estão tratando-o como um animal enjaulado", disse Sarah Harisson, uma de suas colaboradoras mais próximas.

Um vídeo gravado pela equipe de WikiLeaks mostra que três dispositivos estão conectados à tornozeleira eletrônica usada por Assenge para enviar informações à polícia britânica.

Vaughan Smith, o proprietário da mansão e o grande protetor de Assange na Inglaterra, diz-se contrariado com a proliferação de dispositivos de controle. "Creio que ele está submetido a um regime bastante invasivo" , afirma.

O WikiLeaks estima que Julian Assange, a quem a justiça sueca condena por supostos abusos sexuais e violação, está sendo submetidos a um tratamento injusto e desproporcionado. Além disso, a equipe acredita que seu pedido de extradição está envolto em manobras políticas obscuras. Julian Assange recorreu da decisão de extradição em março e aguarda o resultado no próximo dia 12 de julho, em Londres.

A exposição das imagens de Assange em prisão domiciliar pelo site reforça a argumentação anterior, em que a ordem emitida pela Suécia em novembro do ano passado escondia motivações políticas. O WikiLeaks acredita que se pretende usar o país escandinavo como escala para enviar o processo para a última instância nos Estados Unidos. O documento que acompanha as imagens reproduz os argumentos da defesa australiana em vista de sua extradição, que foram desconsiderados pela Corte de Belmarsh.