O PMDB – leia-se, senador Renan Calheiros – adotou cautela ao conversar com o Cada Minuto sobre as eleições de 2012 na capital alagoana. É o jeito peemedebista de ser: montar o tabuleiro de xadrez e mover cada peça, calculando já os passos adiante, para não perder espaços e conquistar territórios.

Renan Calheiros fez isto muito bem em 2010. Só não foi o grande vitorioso, porque o senador Benedito de Lira (PP) “roubou” a dianteira das urnas, sendo o mais votado. Porém, em Brasília, está longe de ser o mais influente. O título – para o bem ou para o mal! – continua nas mãos do peemedebista.

Calheiros – que vinha de uma crise em relação a sua imagem, envolvido em escândalos nacionais - costurou os espaços corretos em 2010, com paciência, sem açodamento e sem dar aos jornalistas as declarações que estes queriam. Cauteloso, fez toda uma chapa orbitar em torno de si, sacrificando Ronaldo Lessa (PDT), com quem tem um débito político, que pode ser pago em 2012, mas só se a conjuntura permitir.

Fica claro que – para o próximo ano – é remota a possibilidade dos peemedebistas encabeçarem uma chapa. O mais provável é o apoio a um candidato que dialogue bem com a situação e com o amigo de Calheiros, o prefeito Cícero Almeida (PP). O ano de 2012 apresenta muitos postulantes. Alguns nos quais, inclusive, o analista Renan Calheiros, se apostam fichas como fortes nomes.

Galba Novaes (PRB) – o presidente da Câmara Municipal de Maceió – é um deles. Givaldo Carimbão (PSB) – o profeta que se anuncia eleito – é outro. Rui Palmeira (PSDB) – apesar do desestímulo – também é forte! Enfim, entre os mais de 14 postulantes, Mozart Amaral – o candidato declarado do prefeito – está mais para o fim da lista, que para o começo, apesar dos elogios que ganha diuturnamente de Almeida.

E entre tantos nomes – a maioria fora do seio do PMDB – Renan Calheiros não é bobo quando diz que antecipar as graças é enfraquecê-los. Afinal, quem bota a cabeça para a fora da toca é sempre o primeiro a levar porrada! Oposicionistas e situacionistas sabem bem disto. No jogo da política é permitido quase tudo, até boi voar (e se for de ouro, então!)...por lá, no mundo selvagem do homem político, quem menos anda; voa. Os que se permitem ao amadorismo, afundam, correm o risco de cair feio após trajetórias meteóricas.

É por isto que diz Renan Calheiros: “colocar nomes antecipados é colaborar para o insucesso do candidato”. Ou, então, para o insucesso dos planos de quem enxerga longe. Lembrem-se da última grande frente partidária com a qual Renan Calheiros se envolveu: quem lucrou? Quem saiu perdendo?

 

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